Mercados Financeiros Hoje: Recorde no Japão, Tensão no Oriente Médio e Dólar em Queda

Mercados Financeiros Hoje: Recorde no Japão, Tensão no Oriente Médio e Dólar em Queda
Os mercados financeiros hoje abrem com direções mistas, refletindo o cenário geopolítico e as expectativas para a política monetária nos Estados Unidos. Enquanto Wall Street opera sem força definida, a Ásia registra desempenhos variados, com destaque para o recorde histórico do Nikkei 225. Acompanhe a análise completa.
📊 Cotações em tempo real (7h10)
Cenário Internacional: Tensões e Recordes
Os mercados financeiros hoje refletem um ambiente de cautela, após o Irã anunciar o fechamento do estreito de Ormuz ao tráfego de embarcações. Apesar da declaração, milhões de barris de petróleo continuaram passando pela via marítima durante o fim de semana, segundo a Bloomberg. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que a interrupção da passagem ocorreria em resposta a violações do cessar-fogo com EUA e Israel, citando os ataques israelenses ao Líbano como estopim.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou neste domingo retomar a guerra com o Irã caso o país não impeça seus representantes de causarem distúrbios na região. A declaração ocorreu mesmo com o vice-presidente JD Vance reunido com autoridades iranianas na Suíça, na primeira rodada de negociações sob o acordo interino de paz. O petróleo, que havia avançado até 3% no início das negociações asiáticas, reduziu os ganhos com os sinais de progresso nas conversas diplomáticas. O Brent recuou 0,38%, para US$ 80,26 por barril, enquanto o WTI fechou com alta de cerca de 1%, a US$ 77,52.
No front político europeu, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer anunciou sua renúncia como líder trabalhista e chefe de governo, encerrando meses de turbulência política. O movimento adiciona um elemento de incerteza aos mercados financeiros hoje, especialmente para a libra esterlina e os ativos britânicos.
O ouro opera em queda nesta segunda-feira, recuando 0,53% a US$ 4.223,20 por onça-troy, acumulando a terceira semana consecutiva de perdas. A mudança nas expectativas para a política monetária americana, após a reunião do Federal Reserve, reduz o apetite por ativos-refúgio, pressionando o metal precioso.
Bolsas Asiáticas: Recorde no Japão
O Nikkei 225 avançou 1,55%, atingindo novo recorde histórico aos 72.353 pontos, impulsionado pelo desempenho robusto do setor de tecnologia e pela expectativa de estímulos fiscais no Japão. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,69%, enquanto o CSI 300, da China, ganhou 2,39%, beneficiado por medidas de suporte à economia doméstica. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,63%, pressionado pelo setor imobiliário.
Na Europa, o Stoxx 600 abriu em alta de 0,12%, com a maioria dos setores operando no vermelho. As bolsas europeias aguardam a divulgação da confiança do consumidor na zona do euro, prevista para as 11h, e os PMIs preliminares de junho, que devem trazer pistas sobre a recuperação econômica do bloco.
Brasil: Ibovespa e Dólar
O Ibovespa teve dificuldade de adotar uma tendência única na sexta-feira e variou entre perdas e ganhos ao longo do dia, até encerrar estável (+0,03%), aos 168.334 pontos. Na semana, o índice cedeu 1,64%, refletindo a aversão a risco global e o monitoramento das tensões no Oriente Médio. O dólar, em dia de liquidez reduzida, encerrou a sessão com leve queda de 0,18%, cotado a R$ 5,16, influenciado pelo cenário externo e pela atuação do Banco Central.
A agenda da semana traz a divulgação da ata do Copom e do IPCA-15 como destaques domésticos. A ata deve detalhar a última decisão do BC, que cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano, e trazer sinalizações sobre a trajetória da taxa. O mercado projeta novos cortes nas próximas reuniões, mas a comunicação do Banco Central será determinante para as expectativas.
As exportações brasileiras para os EUA caíram ao menor patamar em 30 anos após o tarifaço anunciado pelo governo Trump em julho de 2025, com queda nas vendas na quase totalidade dos Estados, segundo o Valor. O dado reforça os desafios para a balança comercial brasileira e para o crescimento econômico do país.
O Banco Central realiza nesta segunda-feira o chamado “casadão”, com venda de dólares no mercado à vista conjugada à compra no mercado futuro via swap reverso, em leilões previstos entre 9h20 e 9h25. O montante máximo aceito é de US$ 1 bilhão. A medida, anunciada na sexta-feira após o fechamento, integra o movimento gradual do BC de redução do estoque de swap cambial, em meio ao fortalecimento do dólar nas últimas semanas.
Empresas: Previ e Vale
A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, estuda impugnar a reunião extraordinária do conselho de administração da Vale realizada na sexta-feira, que tratou da destituição do presidente do colegiado, Daniel Stieler, segundo apurou o Valor. O movimento adiciona um novo capítulo à disputa pelo controle da mineradora.
A Aliança Energia, empresa de energias renováveis da Vale, ampliou em 9% a capacidade instalada do seu parque gerador ao incorporar o complexo eólico Caetité. Com a operação, a companhia passou a deter 2.382 MW de capacidade instalada, reforçando seu compromisso com a transição energética.
Agenda do Dia
Brasil: 08h25 – Pesquisa Focus; 15h00 – Balança Comercial Semanal
Zona do Euro: 11h00 – Confiança do Consumidor (prévia, jun)
Japão: 21h30 – S&P Global: PMI Manufatureiro (prévia, jun); 21h30 – S&P Global: PMI de Serviços (prévia, jun); 21h30 – S&P Global: PMI Composto (prévia, jun)
Perspectivas para os Mercados Financeiros Hoje
Os mercados financeiros hoje devem permanecer voláteis, com os investidores atentos aos desdobramentos das negociações entre EUA e Irã e aos dados econômicos que podem influenciar as decisões do Federal Reserve. A ata do Copom e o IPCA-15, no Brasil, serão os principais catalisadores domésticos, enquanto o mercado internacional aguarda os PMIs da zona do euro e do Japão para calibrar as expectativas de crescimento.
A recomendação para os investidores é manter a cautela e diversificar as carteiras, aproveitando as oportunidades geradas pela volatilidade. O cenário de juros elevados no Brasil ainda oferece atratividade para a renda fixa, enquanto as bolsas podem encontrar suporte nos balanços corporativos e nas perspectivas de recuperação econômica.
