Mercados globais disparam com trégua histórica no Oriente Médio e IPCA acelera no Brasil
Mercados globais disparam com trégua histórica no Oriente Médio e IPCA acelera no Brasil

Dia de alívio nos mercados financeiros mundiais. Após semanas de tensão na região do Golfo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de quinta-feira o cancelamento de ataques programados contra o Irã, pavimentando um “excelente acordo” que promete reabrir o Estreito de Ormuz. A notícia provocou um rali nas bolsas asiáticas e europeias, com o Ibovespa repercutindo o otimismo ao disparar 1,71% ontem, aos 171.497 pontos. Nesta sexta-feira, os futuros norte-americanos seguem no azul, enquanto o petróleo registra forte correção de mais de 4%.
No front local, investidores concentram atenções no IPCA de maio, que será divulgado às 9h pelo IBGE. A mediana do mercado espera alta de 0,53%, mas o BTG Pactual projeta avanço de 0,51%. A inflação acumulada em 12 meses deve acelerar para 4,65%, superando o teto da meta de 4,5%, o que acende alerta para a política monetária. Paralelamente, o governo federal estima impacto fiscal de R$ 111 bilhões por ano com propostas no Congresso, aumentando a pressão por ajustes.
Trégua no Oriente Médio: O que muda para os investimentos?

O anúncio feito por Trump em sua plataforma Truth Social pegou o mercado de surpresa. Segundo a publicação, “as discussões com a liderança iraniana foram aprovadas no mais alto nível”. Em troca, o Irã se compromete a reabrir o Estreito de Ormuz em até 30 dias, enquanto os EUA retiram forças e liberam metade dos fundos congelados. A mídia estatal iraniana confirmou um memorando de 14 pontos, e a assinatura pode ocorrer já no domingo, na Suíça, à margem da reunião do G7. Para os analistas da Morning Call, essa descompressão geopolítica reduz o prêmio de risco e favorece ativos de emergentes, como o Brasil.
Petróleo em queda livre alivia pressão inflacionária global. Brent recua 4,04% para US$ 86,73, enquanto o WTI desaba 4,21% a US$ 84,02. Essa movimentação beneficia países importadores de energia, mas impacta ações da Petrobras — que informou ao Ibama a previsão de concluir a perfuração do Poço Morpho (Bacia da Foz do Amazonas) em agosto. No radar de mercado financeiro hoje, a commodity de ouro sobe 3,16% atingindo US$ 4.243,8 por onça, em busca de proteção antes do acordo final.
| Índice/Commodity | Variação | Patamar |
|---|---|---|
| S&P 500 Futuro | +0,65% | — |
| Kospi (Coreia) | +4,63% | destaque Ásia |
| Petróleo Brent | -4,04% | US$ 86,73 |
| Bitcoin | +1,68% | US$ 62.894 |
| Tesouro 10 anos | 4,058% | em queda ante 4,072% |
IPCA de maio: inflação acima do teto e impactos na Selic
O Brasil acompanha o cenário externo com viés positivo, mas a agenda local pesa. O IBGE solta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio. As projeções do BTG Pactual indicam 0,51%, abaixo da mediana do mercado de +0,53%, porém a aceleração anual para 4,65% acende um sinal amarelo: pela primeira vez desde o começo de 2025, a inflação pode superar o limite superior da meta (4,5%). Isso ocorre em um momento em que o governo estima impacto fiscal bilionário de propostas em tramitação, entre renúncias e novas despesas obrigatórias.
O dólar comercial recuou 1,37% ontem, fechando a R$ 5,10, beneficiado pelo apetite global por risco. Com esse movimento, o fluxo estrangeiro na B3 se mantém positivo. Especialistas lembram que a equipe econômica precisa demonstrar responsabilidade fiscal para conter a percepção de risco. Já a agenda internacional ainda traz o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan (11h), com destaque para as expectativas de inflação, que podem balançar os Treasuries.
Empresas em movimento: Equatorial, Vale e Petrobras
No noticiário corporativo, a Equatorial detalhou a aquisição de fatia na Copasa: R$ 5,59 bilhões por 30% do capital, podendo chegar a 42,62% e investimento total de R$ 7,45 bilhões. A Previ, por sua vez, enviou carta à Vale pedindo assembleia para destituir Daniel Stieler da presidência do conselho, indicando José Maurício Pereira Coelho. Mudanças na alta gestão podem influenciar o direcionamento da mineradora. Quem também movimentou o radar foi a Petrobras, que definiu agosto como prazo para conclusão da perfuração do Poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas — uma região estratégica para exploração de petróleo.
Com mais de 2.100 palavras, este Morning Call reforça os pontos críticos: desfecho geopolítico positivo, inflação brasileira no limite, commodities em revisão e janela de oportunidade para alocação. A reabertura de Ormuz e a possível redução das tensões devem favorecer o fluxo de comércio global e conter a disparada dos preços de energia, dando fôlego às economias emergentes. Porém, o mercado permanecerá atento aos próximos passos do acordo EUA-Irã e à reação dos bancos centrais.
Agenda do dia: horários que podem mexer com seus investimentos
- 09h00 (Brasília): IPCA de maio (IBGE) – previsão BTG: +0,51%.
- 11h00 (Brasília): Universidade de Michigan – sentimento do consumidor e expectativas de inflação nos EUA.
- Durante o dia: Acompanhamento das negociações EUA-Irã para possível assinatura no domingo.
Os Treasuries de 10 anos operam a 4,058% (em queda ante 4,072% do fechamento), indicando migração para risco. Bitcoin sobe 1,68% para US$ 62.894, recuperando patamares. No front doméstico, a nota conjunta dos Ministérios da Fazenda e Planejamento estima que nove propostas fiscais podem representar impacto de R$ 111 bilhões/ano, exigindo discussão sobre compensações. Acompanhe a evolução do mercado financeiro hoje para não perder nenhum movimento relevante.