
Petróleo dispara e mercados globais aguardam Copom e Fed

Os mercados globais operam em tom cauteloso nesta terça-feira (29), na véspera das decisões simultâneas do Copom e do Federal Reserve sobre os juros, enquanto o conflito no Oriente Médio segue como pano de fundo geopolítico de alto risco. O petróleo Brent ultrapassou os US$ 111 por barril, renovando máximas recentes após escalada no Estreito de Ormuz.
📊 Cotações às 7h10 (Brasília)
- S&P 500 Futuro -0,17%
- FTSE +0,49%
- CAC +0,21%
- Nikkei -1,02%
- Kospi +0,39%
- Shanghai -0,19%
- Petróleo WTI +3,38% (US$ 99,63)
- Brent +3,02% (US$ 111,50)
- Ouro -1,47% (US$ 4.624,6)
- Dólar Índice DXY +0,27% (98,764)
- Bitcoin -0,22% (US$ 76.588)
- Treasury 10 anos 4,360%
O movimento de aversão a risco é moderado, mas o petróleo dispara com força depois que o Irã enviou aos Estados Unidos, por meio de mediadores paquistaneses, uma proposta para separar a crise no Estreito de Ormuz da questão nuclear. Segundo fontes do Axios, Teerã quer priorizar a reabertura do estreito e o levantamento do bloqueio naval americano, porém Trump rejeitou a lógica iraniana. O chanceler iraniano Abbas Araghchy viajou à Rússia para encontro com Putin, buscando apoio nas negociações – um sinal de que as tensões ainda podem se prolongar, mantendo o petróleo no radar dos investidores.
No Japão, o Banco do Japão manteve a taxa básica em 0,75% ao ano, como amplamente esperado, mas elevou suas projeções de inflação enquanto reduziu as de crescimento. O movimento reflete a pressão dos preços de energia sobre a economia japonesa. Já nos Estados Unidos, hoje sai o índice de confiança do consumidor (Conference Board) de abril e o leilão de T-notes de 7 anos – dados que podem influenciar as apostas para o Federal Reserve, que toma decisão de juros amanhã. A maioria do mercado acredita em manutenção, mas a inflação resiliente mantém o alerta.
Brasil: IPCA-15 acelera e pressiona Copom
O Ibovespa encerrou a segunda-feira com queda de 0,61%, aos 189.579 pontos, pressionado pela alta dos juros futuros e pelo impasse geopolítico. O dólar comercial recuou 0,31% a R$ 4,9823. O grande destaque doméstico do dia é o IPCA-15 de abril, divulgado às 9h pelo IBGE, considerado a prévia da inflação oficial. O BTG Pactual projeta IPCA-15 de 0,96% — a taxa acumulada em doze meses deve acelerar para 4,44%, após mínima recente de 3,89% em março. Tal aceleração é crucial para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã: há expectativa de manutenção ou possível ajuste nos juros? A ata será acompanhada de perto.
Além do IPCA-15, o Tesouro Nacional divulga a arrecadação federal de março, com expectativa de R$ 230,3 bilhões, crescimento real de 4,8% no primeiro trimestre. As LFT e NTN-B também estão em leilão programado para as 11h30.
Empresas: Vale, Gerdau e Assaí agitam balanços
A Vale divulga seus resultados do primeiro trimestre de 2026 após o fechamento do mercado, assim como Hypera e Neoenergia. O mercado espera números robustos da mineradora em meio à recuperação do minério de ferro. Enquanto isso, a Gerdau já registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,01 bilhão no 1T26, alta de 33,6% na comparação anual e impressionantes 51,2% ante o trimestre anterior, refletindo a força da siderurgia e demanda doméstica.
O Assaí apresentou lucro de R$ 320 milhões no 1T26, crescimento de 173,5% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado pela monetização de créditos de PIS/Cofins relacionados ao regime plurifásico, com efeito aproximado de R$ 273 milhões no resultado operacional. Já a Petrobras fechou acordo para adquirir 100% de uma área do campo de Argonauta, na Bacia de Campos, detida pela Shell, ONGC e Brava Energia. O valor total da operação é de R$ 700 milhões mais US$ 150 milhões.
No cenário de mercado financeiro, a percepção de risco ainda controlada, mas com o petróleo tensionando as curvas de juros globais. Os investidores acompanham de perto o desenrolar da crise no Oriente Médio e os próximos passos dos bancos centrais.
Agenda do dia – acompanhe os indicadores
- Brasil: 9h IPCA-15 (IBGE); 11h Arrecadação federal; 11h30 Tesouro: Leilão de LFT e NTN-B.
- Estados Unidos: 11h Confiança do consumidor (Conference Board) / Leilão T-notes de 7 anos.
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