Petróleo em chamas: alta de 3% acende alerta para inflação e juros no Brasil e nos EUA
Por MindStuff · 17 de março de 2026 — O mercado financeiro opera com volatilidade nesta manhã, refletindo a combinação de riscos geopolíticos no Oriente Médio e a expectativa pelas decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. O petróleo volta a subir mais de 3%, revertendo as perdas da véspera, após ataques a infraestruturas energéticas e o anúncio de uma coalizão para proteger o Estreito de Ormuz. Enquanto isso, as bolsas mundiais oscilam sem direção única, e os investidores monitoram os desdobramentos do conflito que pode impactar a inflação global. No Brasil, o Copom inicia sua reunião hoje, e o mercado repercute a intervenção histórica do Tesouro Nacional. Confira a análise completa.

Internacional: petróleo em foco e bolsas mistas
As bolsas mundiais operam sem direção única enquanto os agentes financeiros aguardam decisões de política monetária em vários países e acompanham de perto a crise no Oriente Médio. Em Nova York, os futuros do S&P 500 recuam 0,15%, e os futuros do Nasdaq perdem 0,20%. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 sobe 0,40%, com altas em setores de energia. Na Ásia, o fechamento foi misto: o japonês Nikkei caiu 0,09%, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 1,63% e o Shanghai recuou 0,85%.
O grande protagonista é o petróleo. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), o WTI para maio subia 3,07%, cotado a US$ 96,37 o barril, e o Brent para junho avançava 2,88%, a US$ 103,10. A alta ocorre em meio a incertezas sobre uma coalizão liderada pelos Estados Unidos para proteger a circulação de navios no Estreito de Ormuz e aos ataques do Irã contra estruturas energéticas. “O mercado de petróleo segue refém da geopolítica; qualquer interrupção no fluxo pode levar o barril acima de US$ 110”, comenta a analista de commodities da MindStuff. Vale lembrar que ontem os preços caíram mais de 5% com a possibilidade de liberação de reservas estratégicas.
Além do petróleo, os investidores monitoram o dólar e os treasuries. O índice DXY opera estável a 99,72 pontos. Os juros dos títulos de 10 anos estão em 4,226% (estáveis). O bitcoin recua 0,40%, negociado a US$ 73.759.
Agenda econômica: Fed e ADP
os Estados Unidos, a agenda desta quarta-feira traz a criação semanal de vagas no setor privado (ADP) e os estoques de petróleo (17h30). Mas o grande destaque é a reunião do Federal Reserve, que começa hoje e anuncia decisão amanhã. Autoridades do Fed debatem se o conflito com o Irã pode interromper o crescimento, alimentar inflação persistente ou criar um cenário de estagflação. Qualquer sinalização sobre o ritmo de cortes de juros será determinante para o apetite por risco.
Brasil: mercado doméstico aguarda Copom e repercute intervenção do Tesouro
Por aqui, a agenda de indicadores está esvaziada — apenas o IGP-10 sai às 8h — e todos os olhos estão voltados para o início da reunião do Copom. A decisão sobre a Selic será comunicada amanhã. A expectativa é de manutenção da taxa em 10,5% ao ano, mas o comunicado pode trazer sinais sobre os próximos passos diante da inflação de serviços e do câmbio.
O Tesouro Nacional fez ontem uma intervenção histórica: cancelou os leilões previstos para a semana e recomprou R$ 12 bilhões em papéis prefixados e R$ 15,4 bilhões em títulos indexados à inflação. A medida acalmou o mercado de juros futuros e deu suporte ao real. O dólar comercial caiu 1,6%, cotado a R$ 5,22, e o Ibovespa fechou em alta de 1,25%, aos 179.875 pontos. Hoje, o mercado testa o suporte dos 180 mil pontos, com investidores de olho na relação entre juros e petróleo.
Empresas: balanços do 4T25 movimentam a Bolsa
A temporada de balanços trouxe números relevantes. A Natura registrou prejuízo líquido de R$ 321 milhões no quarto trimestre de 2025, uma melhora de 26,8% em relação ao prejuízo de R$ 438 milhões de 2024. A empresa citou impacto cambial e despesas de reestruturação. Já a Itaúsa teve lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, alta de 16% na comparação anual, e anunciou a distribuição de R$ 1,3 bilhão em JCP aos acionistas. A Sabesp surpreendeu com lucro de R$ 2,68 bilhões, alta de 87% ano contra ano, impulsionada por revisão tarifária e ganhos operacionais.
No setor de óleo e gás, a Petrobras exerceu o direito de preferência para comprar 50% do campo de Tartaruga Verde e do Módulo III de Espadarte, na Bacia de Campos, hoje pertencentes à Petronas. O valor é de US$ 450 milhões. Com isso, a estatal volta a deter 100% desses ativos. A medida reforça a estratégia de focar em águas profundas e pode aumentar a produção de petróleo da companhia nos próximos anos. O mercado reagiu bem, e as ações preferenciais da Petrobras subiam 0,9% no pré-mercado.
Análise setorial: petróleo e commodities
O petróleo segue como o ativo mais sensível. O ouro também avança 0,33%, cotado a US$ 5.018,8 a onça, em busca de proteção. O minério de ferro negociado em Dalian teve leve alta de 0,2%, refletindo estímulos chineses. A combinação de commodities em alta pode beneficiar exportadoras brasileiras, mas também pressiona a inflação de custos. Para quem investe, é essencial acompanhar a exposição das empresas à variação do petróleo.
Resumo de mercado (7h20 BRT)
- S&P 500 Futuro: -0,15%
- FTSE 100: +0,58%
- CAC 40: +0,60%
- Hang Seng: +0,13%
- Nikkei: -0,09%
- Shanghai: -0,85%
- Petróleo WTI: +3,07% (US$ 96,37)
- Petróleo Brent: +2,88% (US$ 103,10)
- Ouro: +0,33% (US$ 5.018,8)
- Dólar (DXY): +0,01% (99,72)
- Bitcoin: -0,40% (US$ 73.759)
- Treasure 10 anos: 4,226%
Agenda do dia: o que acompanhar
- 08:00 – Brasil: IGP-10 (março)
- 09:15 – EUA: ADP emprego (fev)
- 17:30 – EUA: Estoques de petróleo (semanal)
- Durante o dia – Início da reunião do Copom e do Fed
A expectativa para os estoques de petróleo é de alta de 1,2 milhão de barris, segundo consenso Refinitiv. Se o número vier acima do esperado, pode aliviar parcialmente a pressão nos preços do petróleo, mas o foco geopolítico ainda deve predominar.
Este resumo não é recomendação de investimento. Consulte seu Advisor.


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