Trade eleitoral: como as eleições movimentam o Ibovespa e o mercado financeiro
Resumo do mercado: O Ibovespa (IBOV) voltou do feriado da Independência com forte apetite e fechou a terça-feira (8) em alta de +1,20%, aos 187.366 pontos, após tocar a máxima intradiária de 189.248 pontos. O otimismo contagiou os demais ativos domésticos, fazendo o dólar recuar -0,86%, a R$ 5,08.
O principal combustível do pregão foi o cenário eleitoral. A pesquisa Genial/Quaest indicou Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno, ao passo que o levantamento BTG/Nexus colocou o senador numericamente um ponto à frente. O chamado trade eleitoral movimenta sobretudo as ações do Banco do Brasil, mas a CSN também tem vivido bons momentos na Bolsa após a chegada de um novo CEO e as terras raras brasileiras chegaram à Nasdaq.
No campo institucional, a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal também entrou no radar e acabou interpretada por parte do mercado como favorável à oposição. Enquanto isso, Brasília pega fogo com a crise do Master respingando no STF e na PF.
Destaques Macro e o Trade Eleitoral na B3
Na Bolsa, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) surfaram a valorização global das commodities e subiram +0,51% e +2,08%, respectivamente. Os bancos também avançaram, com exceção do Santander (SANB11), que caiu -0,13%. O trade eleitoral se reflete claramente no desempenho de ativos ligados a políticas públicas, como o Banco do Brasil (BBAS3), que acumula alta de +12% nos últimos 30 dias. A expectativa de uma gestão mais alinhada ao mercado em caso de alternância no governo impulsiona o papel.
A agenda macroeconômica completou o quadro, com o Boletim Focus mostrando a projeção para o IPCA de 2026 cair para 5%, enquanto a estimativa para o PIB subiu para 1,93% e a da Selic permaneceu estacionada em 13,75%. No exterior, o clima foi completamente oposto. Instalações de energia da Arábia Saudita sofreram ataques de rebeldes houthis, o que fez o petróleo Brent saltar para perto de US$ 99, alcançando a cotação mais alta em seis semanas.
Diante do choque energético, Wall Street operou em queda, pelo receio de que o encarecimento do combustível reative as pressões inflacionárias e reduza a margem de manobra dos bancos centrais. Por enquanto, o mercado brasileiro segue descolado do humor global e dita o seu próprio ritmo, com o trade eleitoral como principal catalisador.
Variação Diária | Cotações de terça-feira, 08/09 (pós fechamento)
- Bolsas e Índices: Ibovespa: +1,20% | 187.366 pts; IFIX: -0,22% | 3.761 pts; S&P 500: -0,58% | 7.673 pts
- Commodities: Petr. Brent: +0,95% | US$ 97,92; Minério: +0,45% | US$ 100,02; Ouro: -1,71% | US$ 4.400
- Moedas: Dólar: -0,86% | R$ 5,08; Euro: -0,78% | R$ 5,91; BTC: -0,11% | US$ 78.521
Maiores Altas e Baixas
Altas: MRV (MRVE3): +4,68% | R$ 5,81; Cemig (CMIG4): +3,91% | R$ 11,70; CSN (CSNA3): +4,09% | R$ 6,62; Prio (PRIO3): +3,01% | R$ 62,00; Yduqs (YDUQ3): +3,22% | R$ 9,95.
Baixas: Azzas 2154 (AZZA3): -3,62% | R$ 17,05; Motiva (MOTV3): -2,98% | R$ 16,28; Vivara (VIVA3): -1,43% | R$ 22,80; Usiminas (USIM5): -0,92% | R$ 7,56; Porto (PSSA3): -0,99% | R$ 51,15.
Banco do Brasil e o trade eleitoral
🗳️ De olho nas eleições. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) subiram mais de +12% nos últimos 30 dias, embaladas sobretudo pelo chamado trade eleitoral, o movimento de investidores que se posicionam em ativos sensíveis ao resultado das urnas. Por ser estatal, o papel do BB carrega um desconto histórico ligado à interferência política, e qualquer sinal de alternância em 2027 acende a expectativa de uma gestão mais alinhada ao mercado.
🛢️ Já a Petrobras… A petroleira também é afetada diretamente pelas eleições, mas tem focado na exploração da Foz do Amazonas. A estatal já comprovou a existência de petróleo na região e foi autorizada pelo Ibama a perfurar três novos poços para avaliar se a produção comercial é viável. O projeto ainda levaria cerca de sete anos, mas o mercado gostou do sinal, e o trade eleitoral também beneficia a estatal.
Nova era para CSN e Azzas
🏭 Novo presidente. Quem também sacudiu o mercado recentemente foi a CSN (CSNA3). Benjamin Steinbruch deixou a presidência-executiva após 24 anos e migrou para o Conselho de Administração, abrindo espaço para Fabio Schvartsman, ex-CEO de Vale, Klabin e Ultrapar. Schvartsman terá a missão de reduzir a dívida da CSN e foi bem recebido pelo mercado. O BTG, por exemplo, avalia que o executivo sabe o que fazer para reconstruir a confiança dos investidores. Tanto que as ações da siderúrgica já subiram mais de +10% desde a troca.
👗 Fim do casamento. Já a Azzas 2154 (AZZA3) será dividida em duas empresas independentes. Após dois anos de disputas judiciais, os sócios Alexandre Birman e Roberto Jatahy decidiram seguir caminhos separados e fecharam acordo para dividir o grupo. A Arezzo&Co, com Birman, fica com calçados, bolsas, Hering e o ZZ Mall, enquanto a Soma, com Jatahy, concentra o vestuário premium de Reserva, Animale e Maria Filó. A conclusão depende do Cade e está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
Crise no STF se intensifica e atinge PF
🚨 Brasília em alerta. O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, foi afastado do cargo pelo ministro André Mendonça, do STF. Ele foi citado em mensagens de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e é acusado de monitorar de forma ilegal e sistemática o magistrado por meio da inteligência policial. Este é mais um episódio da crise do STF, que escalou na última semana com o caso do Banco Master colocando dois ministros no centro das atenções.
Primeiro, Alexandre de Moraes apareceu em uma troca de mensagens com Vorcaro, horas antes da prisão do banqueiro, em relatório tornado público por Mendonça. Depois, Moraes pediu uma investigação contra Mendonça, por abuso de autoridade e improbidade administrativa. A OAB e ex-ministros do STF cobraram a apuração rigorosa dos fatos, enquanto Lula (PT) defendeu a reforma do Judiciário e o Senado voltou a falar no impeachment de Moraes.
Terras raras do Brasil na Nasdaq
⚒️ Fusão estratégica. A USA Rare Earth (USAR) concluiu a aquisição da Serra Verde – empresa brasileira que se apresenta como a única produtora em grande escala de terras raras magnéticas fora da Ásia. Avaliado em US$ 2,8 bilhões, o negócio foi concluído após o governo Trump injetar US$ 750 milhões na empresa americana e comprometer-se a comprar ao menos US$ 300 milhões em produtos da companhia resultante da fusão.
O acordo é estratégico para os Estados Unidos, pois permite que a USA Rare Earth avance no plano de construir uma cadeia completa de terras raras, reduzindo a dependência dos americanos dos minerais e produtos chineses. Porém, foi visto com ressalvas pelo governo Lula (PT), que tenta estimular a exploração de minerais críticos por empresas brasileiras.
Agenda de Dividendos e o que esperar
📢 Anunciou! A CPFL Energia (CPFE3) pagará R$ 700 milhões em dividendos no próximo dia 24 de setembro. É o equivalente a R$ 0,60 por ação. 🗓️ Data com. Quem quer ter direito aos próximos proventos da Ambev (ABEV3) ainda está em tempo. A data de corte será no dia 21. 💰 Vai pagar. O Banco do Brasil (BBAS3) vai distribuir juros sobre o capital próprio em dose dupla na sexta-feira (11). Os proventos somam R$ 0,13 por ação.
👀 O QUE ESPERAR DESTA SEMANA: 📱 Novo iPhone. A Apple (AAPL34) lança a sua nova geração de produtos nesta quarta-feira (9). A expectativa é de que a companhia apresente o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max, além do seu primeiro modelo dobrável. 📊 Indicadores. O mercado também aguarda novos dados sobre a economia brasileira e americana para calibrar suas projeções para os juros. 🗳️ Eleições. A semana também será carregada de pesquisas eleitorais, com impacto no trade eleitoral na B3.
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