Temporada de Balanços 3T25: Análise Completa do Mercado e Expectativas
A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2025 (3T25) começa oficialmente nesta semana, trazendo alívio aos investidores após um primeiro semestre marcado pela volatilidade dos mercados. Enquanto as bolsas internacionais reagem positivamente ao alívio nas tensões comerciais entre China e EUA, o mercado brasileiro se prepara para uma semana intensa de divulgações corporativas, começando com os relatórios de produção da Vale e os resultados da WEG e Romi.
O Ibovespa encerrou a sexta-feira anterior (17) em alta de 0,84%, aos 143.399 pontos, acumulando ganhos de 1,93% na semana, enquanto o dólar recuou 1,8%, fechando a R$ 5,40. Esse movimento ocorreu em meio a notícias mais positivas sobre as relações comerciais entre China e Estados Unidos, que têm sido o principal motor dos mercados globais nas últimas sessões.
Cenário Internacional: Alívio Comercial e Foco em Dados
Tensões Comerciais China-EUA
O cenário internacional apresenta sinais de alívio nesta segunda-feira. As bolsas asiáticas e os futuros de Wall Street operam em alta, impulsionados pelo anúncio de que China e EUA concordaram em realizar uma nova rodada de negociações comerciais “o mais rápido possível”.
Este desenvolvimento segue as declarações do presidente norte-americano Donald Trump na sexta-feira, onde afirmou que “as conversas com os chineses estão indo bem”. Trump e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, devem se reunir esta semana na Malásia com o vice-premiê chinês He Lifeng, em um esforço contínuo para reduzir as tensões tarifárias que assombraram os mercados no primeiro semestre.
No entanto, o ambiente não é totalmente harmonioso. Trump anunciou na noite de domingo que aumentará as tarifas sobre a Colômbia, e na sexta-feira (17) assinou decretos estabelecendo tarifas de 25% sobre caminhões importados de médio e grande porte, medida que entra em vigor em 1º de novembro. Essas ações contraditórias mantêm os investidores atentos aos riscos geopolíticos.
Dados Econômicos Globais
A China divulgou no sábado seus números do PIB do terceiro trimestre, que cresceu 4,8% na comparação anual, em linha com as expectativas do mercado, mas abaixo do crescimento de 5,2% registrado no trimestre anterior. Outros indicadores mostraram a produção industrial com alta de 6,5% e as vendas no varejo crescendo 3% na comparação anual.
Nos Estados Unidos, o Escritório de Estatísticas Trabalhistas (BLS) confirmou que divulgará o índice de preços ao consumidor (CPI) na sexta-feira (24), apesar da paralisação do governo (shutdown)]. Este dado será crucial para orientar as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve.
Principais índices internacionais (variação):
- S&P 500 Futuro: +0,3%
- FTSE 100: +0,4%
- Nikkei 225: +3,4%
- Hang Seng: +2,4%
- Xangai SE Comp.: +0,6%
- MSCI World: +0,3%
- MSCI EM: +1,4%
Commodities em Foco
Os preços do petróleo registram leve baixa nesta segunda-feira, com o WTI cotado a US$ 57,21 por barril (-0,6%) e o Brent a US$ 61,12 (-0,3%). O futuro do minério de ferro em Singapura recua 0,3%, negociado a US$ 103,65 a tonelada, um movimento que os investidores acompanharão de perto diante da iminente divulgação do relatório de produção da Vale.
O Bitcoin apresenta valorização de 2%, negociado a US$ 111.064,56, refletindo maior apetite por ativos de risco no ambiente internacional.
Cenário Brasileiro: IPCA-15 e Reforma Administrativa
Agenda Econômica
Na agenda doméstica, o destaque desta segunda-feira é o tradicional Boletim Focus, que traz as projeções do mercado para PIB, inflação, câmbio e taxa Selic. Na semana, o principal evento será a divulgação do IPCA-15 de outubro na sexta-feira (24), que dará importantes sinais sobre a trajetória inflacionária no país.
O Ibovespa busca manter o fôlego após fechar a sexta-feira (17) em alta de 0,84%, aos 143.399 pontos, acumulando ganhos de 1,93% na semana. O dólar apresentou recuo de 1,8% na semana, fechando a R$ 5,40 na sexta-feira, impulsionado pelo alívio nas tensões comerciais entre China e EUA.
Contexto Político e Reformas
Em Brasília, a proposta de reforma administrativa segue ganhando traction. De acordo com informações divulgadas, a proposta já tem mais da metade das 171 assinaturas necessárias e deve ser protocolada na Câmara em duas semanas, segundo o deputado Pedro Paulo, coordenador do grupo de trabalho.
Em desenvolvimento significativo, a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou os argumentos do governo e reiterou a recomendação de buscar o centro da meta fiscal, sinalizando pressão por maior responsabilidade fiscal.
O presidente Lula participa hoje às 15h30 do lançamento do programa Reforma Casa Brasil, que disponibilizará R$ 40 bilhões em empréstimos para reformas. No fim de semana, Lula defendeu aumento de despesas com educação, enquanto o governo prepara quatro medidas para segurança pública de olho nas eleições.
Temporada de Balanços do 3T25: O Que Esperar das Empresas
A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2025 começa oficialmente nesta semana, com os investidores “sacudindo a poeira e se preparando para lidar com as fortes emoções dos próximos seis meses”. Esta será a primeira oportunidade de avaliar os efeitos concretos do “tarifaço” do presidente Trump e as consequências – geralmente positivas – da expectativa de cortes nas taxas de juros no Brasil e nos EUA].
Calendário de Divulgações
A largada informal da temporada acontece já nesta terça-feira (21), quando a Vale (VALE3) divulga seu relatório de vendas e produção – um “teaser” para o que virá nos números completos. O desfile oficial dos resultados das principais empresas listadas na B3 começa na quarta-feira (22), com a publicação dos balanços da WEG (WEGE3) e da Romi (ROMI3).
A Usiminas (USIM5) é quem fecha oficialmente a primeira semana da temporada, com a divulgação dos resultados marcada para a sexta-feira (24). Após o fechamento do pregão, os investidores ainda estarão de olho nos números da Petrobras (PETR4), que completa a sexta-feira com a divulgação do relatório de vendas e produção.
A temporada se estenderá até 14 de novembro, quando a Gol (GOLL4) “pousa com as últimas planilhas” .
Empresas em Destaque Esta Semana
Vale (VALE3)
A Vale tem agenda movimentada nesta semana. A empresa divulgará seu relatório de produção e vendas do 3T25 na terça-feira (21), após o fechamento do mercado. Os resultados financeiros completos serão publicados na quinta-feira (30 de outubro), também após o fechamento, com teleconferência marcada para sexta-feira (31).
Os investidores estarão particularmente atentos aos números de produção de minério de ferro e aos comentários sobre a demanda chinesa, especialmente considerando a desaceleração do PIB chinês para 4,8% no terceiro trimestre.
WEG (WEGE3) e Romi (ROMI3)
A WEG e a Romi têm a honra de abrir oficialmente a temporada de balanços do 3T25 na quarta-feira (22). Ambas empresas representam setores industriais sensíveis ao ciclo econômico, e seus resultados podem oferecer insights valiosos sobre a saúde da indústria brasileira e da demanda internacional.
Usiminas (USIM5)
A Usiminas divulgará seus resultados na sexta-feira (24). A siderúrgica vem de um segundo trimestre onde reverteu prejuízo e registrou lucro líquido de R$ 128 milhões. No 2T25, a empresa reportou Ebitda ajustado de R$ 408 milhões, crescimento de 65% na comparação anual, embora abaixo das expectativas do mercado.
Recentemente, a Usiminas revisou suas projeções de investimentos (CAPEX) para 2025, estimando um total entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão ao longo do ano. O Conselho de Administração também aprovou a modernização e reconstrução parcial da Bateria 4 da Coqueria 2 da Usina de Ipatinga, com investimento total previsto de aproximadamente R$ 1,7 bilhão a ser distribuído ao longo de quatro anos.
Petrobras (PETR4)
A Petrobras fecha a semana com a divulgação do relatório de produção e vendas na sexta-feira (24). A empresa recentemente assinou contrato com o refinador indiano HPCL, com volume de entrega de até 6 milhões de barris em um ano, um movimento estratégico para diversificar parcerias comerciais.
Fusão Petz-Cobasi: Atualização do CADE
No front corporativo, a fusão entre Petz e Cobasi segue sob análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em audiência pública realizada na sexta-feira (17), o relator do caso, conselheiro José Levi Mello do Amaral Jr., afirmou que o tribunal “ainda não chegou a um denominador comum sobre a operação”.
Segundo o relator, o Departamento de Estudos Econômicos do órgão está realizando novos testes de mercado e “querem formar um quadro o mais completo possível”. A operação havia sido aprovada sem restrições pela Superintendência-Geral do Cade, área técnica do órgão, no início de junho, mas um recurso apresentado posteriormente levou o processo a subir para o tribunal administrativo.
Em agosto, o Cade decidiu prorrogar o prazo de análise da fusão por mais 90 dias. O conselheiro destacou que “no que depender de mim, o Cade a princípio não vai propor remédios, mas ele vai provocar que interessadas e terceiros interessados cogitem remédios”.
O acordo de associação para combinação dos negócios foi assinado em agosto de 2024, com a implementação prevista por meio de uma incorporação das ações da Petz pela Cobasi. Como resultado, os atuais acionistas da Petz e da Cobasi receberão, respectivamente, 52,6% e 47,4% da companhia combinada.
Análise Setorial e Expectativas
Setor Siderúrgico
O desempenho da Usiminas no último trimestre oferece um termômetro importante para o setor siderúrgico. Apesar da melhora nos resultados, analistas do Bradesco BBI destacaram que mesmo com a expectativa de recuperação do Ebitda na divisão de Aço, a melhora “depende de redução de custos, uma área em que a empresa vem ficando abaixo do esperado”.
Os dados do segundo trimestre também indicaram “possível fragilidade persistente na demanda, tanto nas divisões de aço quanto de minério de ferro”, um sinal que os investidores acompanharão de perto nos resultados do terceiro trimestre.
Setor de Varejo Pet
A fusão entre Petz e Cobasi representa um ponto de inflexão para o setor de varejo pet. Durante a audiência no Cade, as empresas defenderam que a fusão representaria apenas cerca de 10% de participação de mercado, argumentando que precisam de escala para competir com os marketplaces.
O setor tem passado por significativa transformação, com a ascensão de players digitais e aumento da concorrência. O resultado da análise do Cade poderá redefinir as dinâmicas competitivas neste mercado em crescimento.

Perspectivas e Estratégias para a Semana
Fatores a Monitorar
- Balanços do 3T25: Os resultados da WEG, Romi e o relatório de produção da Vale darão o tom inicial para a temporada de resultados.
- IPCA-15: A divulgação na sexta-feira (24) trará importantes sinais sobre a trajetória inflacionária.
- CPI dos EUA: A confirmação da divulgação do índice de preços ao consumidor norte-americano na sexta-feira (24), apesar do shutdown, será crucial para as expectativas de política monetária do Fed.
- Tensões comerciais: O desdobramento das negociações entre China e EUA continuará influenciando os mercados globais.
- Commodities: Os preços do petróleo e minério de ferro seguirão como termômetros do comércio global.
Análise Técnica e Recomendações
O Ibovespa demonstra resiliência ao retornar aos 143 mil pontos, impulsionado pela melhora nas expectativas para as negociações entre Brasil e EUA. O alívio nas tensões comerciais entre as duas maiores economias mundiais criou um ambiente mais favorável para ativos de risco emergentes.
Os setores industriais e de commodities devem receber atenção especial nesta semana, dado seu protagonismo no calendário de balanços. Empresas com forte exposição ao mercado externo podem se beneficiar do ambiente de alívio comercial, enquanto as voltadas ao consumo doméstico ainda enfrentam desafios da lenta recuperação econômica interna.

A correlação entre o real brasileiro e os preços das commodities sugere que a manutenção dos níveis atuais do dólar abaixo de R$ 5,40 poderia oferecer suporte adicional ao fluxo de capitais para a bolsa brasileira. No entanto, a agenda fiscal doméstica e o andamento das reformas estruturais seguirão como fatores determinantes para o médio prazo.

Conclusão
A semana se inicia com otimismo cauteloso nos mercados globais, alimentado pelo alívio nas tensões comerciais entre China e EUA e pela expectativa de uma temporada de balanços que trará insights concretos sobre a saúde corporativa em meio ao complexo ambiente geopolítico.
No front doméstico, os investidores terão múltiplos catalisadores para orientar suas decisões, com destaque para o início da temporada de balanços do 3T25 e a divulgação do IPCA-15. As divulgações da Vale, WEG, Romi e Usiminas oferecerão os primeiros sinais concretos do desempenho empresarial no trimestre, enquanto o contexto político segue evoluindo com a reforma administrativa.

Em um ambiente ainda marcado por incertezas, a diversificação e a atenção aos fundamentos individuais das empresas mantêm-se como princípios essenciais para navegar na volatilidade dos mercados. A semana promete oferecer informações valiosas para ajustar posicionamentos e identificar oportunidades em meio aos riscos.
Este resumo não é recomendação de investimento. Consulte seu Advisor.