Por que a bolsa caiu 1,15% e o que o mercado espera antes do 2º turno

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Ibovespa hoje: por que a bolsa caiu 1,15% e o que o mercado espera antes do 2º turno

23/10/2026 | Leitura: 9 min Atualizado em 23/10/2026

Ibovespa hoje

O Ibovespa hoje abre o último pregão antes do segundo turno com o retrovisor cheio: na quinta-feira (22), o índice caiu 1,15% e fechou aos 204.120,12 pontos. Duas forças empurraram o mercado para baixo ao mesmo tempo: a cautela com a eleição presidencial de domingo e uma onda de aversão a risco lá fora, puxada por tecnologia e petróleo.

Resumo em 30 segundos
  • O Ibovespa hoje parte de 204.120 pontos, após recuar 1,15%; a semana acumula queda de 0,64%, e outubro ainda sobe 9,54%.
  • O dólar comercial subiu 0,22%, a R$ 5,038, a segunda alta seguida.
  • Nasdaq caiu 2,60% e S&P 500, 1,21%; o Dow Jones ficou estável.
  • O petróleo Brent saltou 4% e fechou a US$ 113,17 com a tensão entre EUA e Irã.
  • Datafolha mostra empate em 50% a 50% nos votos válidos; hoje saem o IPCA-15 e o debate da Globo, eventos que podem mexer com o Ibovespa hoje.

Painel do dia

Fechamento de 22/10/2026, a base para o Ibovespa hoje. As setas indicam a direção; a cor só reforça.

Indicador Valor Variação
Ibovespa 204.120,12 pts ▼ −1,15%
Dólar comercial R$ 5,038 ▲ +0,22%
S&P 500 7.663,43 pts ▼ −1,21%
Dow Jones 52.867,98 pts ▲ +0,02%
Nasdaq 26.008,86 pts ▼ −2,60%
Petróleo Brent (dez) US$ 113,17 ▲ +4,00%
Ouro (à vista) cerca de US$ 4.025 ▼ cerca de −2,8%
Bitcoin cerca de US$ 81.300 ▼ cerca de −4,1%
Treasury de 10 anos (EUA) cerca de 4,97% ▼ cerca de −14 pontos-base
DXY (índice dólar) 101,63 pts ▼ −0,15%

Como foi o pregão no Brasil

O índice oscilou entre 203.052 e 206.493 pontos ao longo da quinta-feira e terminou perto da mínima do dia. Dos 76 papéis que compõem o Ibovespa, 48 fecharam no vermelho. Com isso, a semana passou a registrar perda de 0,64%, depois de uma alta forte na terça (1,57%) e de um recuo na quarta, quando o índice terminou em 206.495 pontos. Para o Ibovespa hoje, o ponto de partida é, portanto, uma semana ainda negativa.

Quem acompanha o Ibovespa hoje precisa entender o pano de fundo: o mercado vem operando o chamado “trade eleitoral”, em que as ações sobem e descem conforme as pesquisas. Segundo dados da B3 compilados pela Broadcast, a procura por proteção com opções de venda (as puts) cresceu mais de 90% entre 5 e 20 de outubro. Em linguagem simples, mais investidores pagaram por um “seguro” contra uma queda brusca.

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Em linguagem simples: as puts funcionam como uma apólice. Quem as compra ganha se o ativo cair, o que ajuda a limitar o prejuízo da carteira. Quando a procura por esse seguro dispara, é sinal de nervosismo.

O câmbio também conta para o Ibovespa hoje. O dólar comercial oscilou entre R$ 5,022 e R$ 5,056 e fechou a R$ 5,038, alta de 0,22%. A Ptax, taxa de referência do Banco Central, ficou em R$ 5,0383. A moeda subiu diante do real, mas caiu levemente frente a outras divisas fortes: o DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas, recuou 0,15%, para 101,63 pontos.

Os juros futuros (DIs), que indicam o que o mercado espera para a Selic nos próximos anos, subiram em toda a curva. O contrato para janeiro de 2027 fechou a 13,50% ao ano, e os vencimentos mais longos avançaram entre 0,08 e 0,15 ponto percentual . A meta da Selic está em 13,75% ao ano e o Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.

Exterior: o que mexeu com Wall Street, Europa e Ásia

O que vem de fora pesa no Ibovespa hoje, e Nova York deu o tom: a quinta-feira foi de divisão. O Dow Jones ficou praticamente parado, com alta de 0,02%, aos 52.867,98 pontos, mas o S&P 500 perdeu 1,21% e o Nasdaq caiu 2,60%. O gatilho foi o balanço da Meta: a empresa superou as estimativas de receita, porém projetou investimentos anuais de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões em inteligência artificial e registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões no trimestre. As ações caíram cerca de 7%. A Tesla, que também divulgou resultados, recuou 3,08%.

O recado do mercado foi de dúvida sobre quem vai pagar a conta da corrida da IA. Operadores ouvidos pela CNBC e citados pelo InfoMoney apontaram ainda a “narrativa frágil” em torno do financiamento do setor e o receio de novos ataques ao Irã depois das eleições americanas de meio de mandato, no início de novembro.

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Houve também uma corrida aos títulos do Tesouro americano, vistos como porto seguro. O rendimento do Treasury de 10 anos caiu cerca de 14 pontos-base, para perto de 4,97%, um dos maiores recuos diários dos últimos anos . No lado do emprego, os pedidos semanais de seguro-desemprego ficaram em 194 mil, abaixo dos 200 mil esperados, um dado firme que mantém vivo o debate sobre juros altos por mais tempo.

Na Europa, o STOXX 600 caiu quase 1% e teve, segundo a Reuters, a maior queda em três semanas . O setor bancário liderou as perdas (−2,1% na manhã), com Barclays em baixa após lucro abaixo do previsto, e a Hermès despencou cerca de 6,7%. A França segue no radar por causa dos protestos e do custo de financiamento: o título de 10 anos rendia perto de 5,05%.

Na Ásia, o dia foi de perdas: Nikkei (−2,65%), Hang Seng (−3,03%) e Xangai (−1,48%) . O CSI 300, que reúne as principais empresas da China, caiu 1,8% e entrou oficialmente em mercado de urso, com queda de mais de 20% desde a máxima de junho.

Ações em foco

Para o Ibovespa hoje, vale olhar quem puxou a queda. As siderúrgicas dominaram as maiores baixas do índice: CSN (−5,43%), Usiminas (−4,81%) e Gerdau (−3,92%). A Embraer perdeu 4,66%. A Vale caiu 3,97% e já acumula perda de quase 12% em outubro, pressionada pelo minério de ferro mais fraco na China.

Entre os bancos, Itaú recuou 1,84%, Santander Brasil 1,35%, Banco do Brasil 0,75% e Bradesco 2,08%. O Bradesco divulgou o balanço do terceiro trimestre depois do fechamento: lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de 14,6% em um ano e de 0,8% sobre o trimestre anterior, em linha com as projeções. O retorno sobre o patrimônio (ROAE) foi de 16,1% sem o efeito do aumento de capital. O ponto de atenção está na qualidade do crédito: a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, e a provisão para calotes cresceu 24,3% em 12 meses, a R$ 10,6 bilhões. A diretoria comenta os números hoje, às 10h30.

No lado positivo, a BB Seguridade subiu 2,05%, a Prio avançou 1,85%, a Telefônica Brasil (Vivo) ganhou 1,65%, a Marcopolo 1,50% e a Ambev 1,26%. A Petrobras ficou perto da estabilidade (PETR4 com +0,14%), mesmo com o petróleo em forte alta.

Macro e política: o que pesa nos preços

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta, depois do fechamento, mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 47% e Lula (PT) com 46% dos votos totais, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, cada um tem 50%. A rejeição de Flávio foi de 44% para 46%, e a de Lula, de 46% para 45%. Na véspera, a Quaest tinha apontado 45% a 44%.

Para o Ibovespa hoje, a política segue como principal variável. Segundo a Reuters, parte dos agentes do mercado vê mais chance de controle das contas públicas em um governo de Flávio Bolsonaro, embora nem ele nem seus conselheiros tenham detalhado ajustes. Já o lado de Lula destaca os riscos de uma mudança de rumo. Como as pesquisas estão empatadas, o mercado trata o resultado como incerto, e isso aparece nos preços e na procura por proteção.

No campo fiscal, a Receita Federal informou arrecadação de R$ 239,4 bilhões em setembro, alta real de 5,62% e recorde para o mês na série iniciada em 1995. Um número forte, mas que não elimina a dúvida sobre as contas de 2027.

Commodities e criptomoedas

O Brent para dezembro subiu 4,00%, a US$ 113,17, e o WTI avançou 2,39%, a US$ 99,47. O estopim foi a possibilidade de uma retomada dos ataques dos EUA ao Irã, segundo o The New York Times, somada a ataques dos houthis à Arábia Saudita. Washington orientou funcionários não essenciais a deixar o país, e o secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou o compromisso com a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Petróleo caro alimenta a inflação e mantém os juros altos por mais tempo, o que pesa sobre ações e ajuda a explicar a pressão sobre o Ibovespa hoje.

O ouro, que costuma proteger em momentos de estresse, caiu cerca de 2,8% e voltou ao menor nível em mais de dois meses, em um movimento associado à busca por liquidez. O Bitcoin acompanhou as ações de tecnologia e perdeu cerca de 4%, ficando perto de US$ 81 mil. Para quem acompanha o mercado de cripto, é um lembrete de que o ativo tem se comportado como risco, não como refúgio. Quem quiser conhecer uma plataforma para negociar pode ver a conta da Binance, lembrando que cripto é volátil.

Comentário estratégico

O dia deixou três sinais. O primeiro é que o Ibovespa hoje depende mais de fatores externos do que parece: tecnologia, petróleo e juros americanos ditaram o humor, e a eleição amplificou o movimento. O segundo é que o mercado de juros reagiu com mais força que o câmbio, o que sugere preocupação com o prêmio de risco de longo prazo. O terceiro é a divisão entre setores: cíclicos e exportadores sofreram, enquanto seguradoras e petroleiras aguentaram melhor.

Analistas citados pelo InfoMoney descrevem o cenário como de cautela, sem pânico. Esta é uma leitura de analistas, não uma recomendação, e o Ibovespa hoje segue sensível a qualquer notícia nova.

Riscos e oportunidades

Para o Ibovespa hoje e na segunda-feira, tudo depende do desfecho. Em um cenário de resultado claro no domingo, o mercado costuma precificar menos incerteza, o que poderia aliviar prêmios de risco. Em um cenário de apuração apertada ou contestada, a tendência histórica é de mais volatilidade em câmbio, juros e bolsa. Além da eleição, há riscos externos: nova escalada no Oriente Médio, desconfiança com o financiamento da IA e uma inflação mais teimosa, que limita o espaço para cortes de juros. Esses são cenários, não previsões.

O que observar hoje

O último pregão antes das urnas deve ser de cautela para o Ibovespa hoje. A agenda do dia:

  • 9h: IPCA-15 de outubro (IBGE). Projeções: 0,45% (Bradesco), 0,49% (ASA) e 0,51% (Itaú), contra 0,70% em setembro. O alívio na energia deve ser compensado por alimentos e combustíveis.
  • 9h e ao longo do dia: novas pesquisas eleitorais (Alfa Inteligência, Ipespe/Abrapel, Real Time Big Data, Veritá e Vox Brasil).
  • 10h30: videoconferência do Bradesco sobre o balanço.
  • 10h45 e 11h: PMI composto dos EUA (S&P Global) e confiança do consumidor da Universidade de Michigan.
  • 21h25: debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Globo.
Você sabia? O IPCA-15 mede a inflação entre os dias 16 do mês anterior e 15 do mês atual. Por isso é chamado de “prévia” do IPCA oficial.

Perguntas frequentes sobre o Ibovespa hoje

Por que o Ibovespa caiu no último pregão?
A queda que define o Ibovespa hoje veio de uma combinação de cautela eleitoral no Brasil e aversão a risco global, com queda de tecnologia em Nova York e alta do petróleo.

O que é o IPCA-15 e por que ele importa para o Ibovespa hoje?
É a prévia da inflação oficial. Ele ajuda o mercado a calibrar as apostas sobre os juros futuros e a Selic.

Por que o petróleo em alta afeta a bolsa?
Petróleo mais caro pressiona a inflação global e reforça a ideia de juros altos por mais tempo, o que costuma reduzir o apetite por ações.

Por que o dólar sobe em semana de eleição?
Em períodos de incerteza, investidores tendem a buscar proteção em moedas fortes. O movimento também depende do cenário externo.

Fontes consultadas

  • Exame (via SBT News): “Cautela eleitoral e exterior derrubam Ibovespa”, 22/10/2026.
  • InfoMoney: “Ibovespa fecha em queda, com exterior, eleição, Vale e bancos”, 22/10/2026; “Eleições, debate na Globo, IPCA-15 e mais destaques desta sexta”, 23/10/2026.
  • Broadcast/Estadão Conteúdo (via DGABC): “Fechamento do mercado financeiro”, 22/10/2026.
  • The Rio Times: “Brazil Stocks Fall 1.15% on Election Nerves”, 22/10/2026.
  • Poder360 e Forbes Brasil: balanço do Bradesco no 3T26, 22/10/2026.
  • Reuters (via Investing.com e US News): STOXX 600, 22/10/2026.
  • Money Times: projeções para o IPCA-15, 23/10/2026.
  • CoinDesk e Babypips: Bitcoin, Treasuries e ouro, 22/10/2026.
  • Datafolha (via Exame): pesquisa do segundo turno, 22/10/2026.

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Este resumo não é recomendação de investimento. Consulte seu Advisor

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