Payroll de setembro: o que o dado dos EUA muda para Ibovespa, dólar e petróleo hoje

Payroll de setembro
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Payroll de setembro: o que o dado dos EUA muda para Ibovespa, dólar e petróleo hoje

payroll de setembro

Por MindStuff — sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Resumo diário: mercados esperam o payroll de setembro

Ofertas Relâmpago | Shopee BrasilOs mercados globais amanhecem com viés positivo nesta sexta-feira (2), em clima de espera. Todas as atenções se voltam para o payroll de setembro dos Estados Unidos, que sai às 9h30 e tende a orientar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). Até o momento, a leitura dos investidores é de cautela moderada, com ganhos nos futuros em Nova York e nas bolsas europeias, mas com um pano de fundo pesado: petróleo volátil, tensão no Oriente Médio e inflação em alta na Europa.

Em Nova York, o contrato do S&P 500 sobe 0,5%, o do Dow Jones também avança 0,5% e o do Nasdaq 100 ganha 0,8%. Na Europa, o CAC 40 sobe 1,12%, o FTSE 100 avança 0,70% e o DAX ganha 1,17%. Já a Ásia fechou em tom misto: o Nikkei caiu 0,94%, o Kospi subiu 0,46% e o Hang Seng recuou 2,60%. As bolsas da China seguem fechadas por causa do feriado da Golden Week, que celebra a fundação da República Popular.

O que esperar do payroll de setembro

O relatório de emprego americano costuma ser um dos dados mais acompanhados do calendário global, porque ajuda a medir a força do mercado de trabalho e, por consequência, a trajetória dos juros. Para o payroll de setembro, a projeção do BTG Pactual é de criação de 86 mil vagas, número bem abaixo das 162 mil registradas em agosto. A taxa de desemprego deve ficar estável em 4,1%, em linha com o consenso.

Um payroll mais fraco que o esperado reforça a leitura de desaceleração da economia e pode aliviar a pressão sobre os juros longos. Um resultado mais forte, por outro lado, pode manter o Fed cauteloso. Vale lembrar que o rendimento do Treasury de 10 anos está em 5,238%, ligeiramente abaixo dos 5,242% do ajuste anterior, e o de 2 anos está em 4,795%, ante 4,802%. Qualquer surpresa no payroll de setembro tem potencial de movimentar essas taxas e, em cadeia, o dólar e as bolsas.

Além do número de vagas, o mercado também olhará o salário médio por hora e a taxa de desemprego, todos divulgados no mesmo horário. À tarde, às 11h, a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, faz um discurso que pode trazer sinais adicionais sobre a política monetária.

Cotações às 7h10: bolsas, commodities e outros ativos

  • S&P 500 futuro: +0,5%; Nasdaq futuro: +0,8%; Dow Jones futuro: +0,5%
  • FTSE: +0,70%; Nikkei: -0,94%; Kospi: +0,46%; Shanghai: feriado
  • Petróleo WTI (nov): -3,99%, a US$ 89,16 o barril
  • Petróleo Brent (dez): -3,11%, a US$ 99,13 o barril
  • Ouro (dez): +0,30%, a US$ 4.214,90 por onça troy
  • Índice do dólar (DXY): -0,15%, a 101,94 pontos
  • Bitcoin: +1,85%, a US$ 86.209,77

O destaque negativo fica com o petróleo, que opera em forte queda. O WTI desaba quase 4%, enquanto o Brent recua mais de 3%. Mesmo assim, os preços seguem em patamares elevados, o que mantém a atenção dos bancos centrais sobre a inflação. Já o ouro avança de forma discreta e o dólar global perde fôlego frente a uma cesta de moedas, o que ajuda a explicar o tom um pouco mais firme nos ativos de risco.

Destaques macro: Irã, diesel e inflação na Europa

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No campo geopolítico, as tensões entre Estados Unidos e Irã voltam a escalar. O governo americano envia um terceiro grupo de porta-aviões ao Oriente Médio, depois de o presidente Donald Trump sinalizar a intenção de retomar os ataques ao Irã após as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro. Na frente econômica, o Tesouro americano ampliou as sanções, que agora alcançam os setores automotivo e ferroviário iranianos. O conflito, que chega ao oitavo mês, segue em impasse: as negociações indiretas travaram depois que Washington rejeitou a proposta de reabrir o Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio americano.

A tensão se espalha por outros pontos da região. Na Arábia Saudita, uma usina de energia em Medina, que abastece a Mesquita do Profeta, foi alvo de ataque com drones. A coalizão liderada pelos sauditas no Iêmen atribuiu a ofensiva aos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.

Na Europa, a disparada do diesel abre outra frente de atrito com os EUA. A União Europeia se reúne hoje, em caráter emergencial, para discutir uma resposta coordenada. Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel atingiu o recorde de US$ 6,50 por galão no fim de setembro, segundo a AAA. De acordo com a Reuters, o governo Trump cobra a liberação de parte das reservas europeias e advertiu Alemanha e França de que pode proibir exportações americanas de diesel. Uma das fontes da agência afirma que Washington quer 120 milhões de barris. Ontem, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que os parceiros europeus devem acelerar as entregas já acordadas e liberar oferta adicional imediatamente.

Ainda na zona do euro, a inflação ao consumidor acelerou para 3,8% em setembro, ante 3,2% em agosto, segundo a estimativa preliminar da Eurostat. É o maior nível desde setembro de 2023 e fica bem acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE).

Brasil: Ibovespa, Petrobras e dólar

Relógio Ponto Cartográfico + 50 Cartões + Fita InstaladaO Ibovespa fechou ontem em alta de 0,46%, aos 187.197 pontos, após uma sessão volátil às vésperas do primeiro turno das eleições. Durante o dia, o índice oscilou entre 184.768 e 187.437 pontos. Pela manhã, a alta dos rendimentos dos Treasuries conteve os ativos locais, mas o alívio nos juros longos americanos à tarde reforçou o apetite por risco em Nova York e favoreceu a bolsa brasileira.

O petróleo foi decisivo: relatos de que Trump avalia retomar os ataques ao Irã até o fim de novembro impulsionaram o preço da commodity e as ações da Petrobras. As preferenciais subiram 1,32% e as ordinárias, 1,80%, o que respondeu por 44% da alta do índice. Com o petróleo em queda hoje, esse suporte pode perder força. Antes mesmo do payroll de setembro, o investidor local deve observar o comportamento das ações da estatal na abertura.

O movimento da bolsa destoou dos demais ativos domésticos. O dólar à vista subiu 0,89%, a R$ 5,2202, acompanhando a pressão sobre moedas emergentes diante da preocupação com o efeito do petróleo sobre a inflação. O euro comercial avançou 0,17%, a R$ 5,8692. Às 9h, o IBGE divulga a produção industrial de agosto, dado que ajuda a medir o ritmo da atividade doméstica.

Ações em foco

Marisa: a varejista anunciou a destituição de Adilvo Souza do cargo de diretor financeiro e administrativo e a eleição de Guilherme de Biagi Pereira para a função. Pereira também assume a diretoria de relações com investidores, que deixa de ser ocupada por Edson Salles Abuchaim Garcia, mantido como diretor-presidente.

MRV&Co: a Luggo, divisão de residenciais para locação, concluiu a venda de três empreendimentos por R$ 166 milhões a um fundo imobiliário estruturado com a Mauá Capital. Os imóveis ficam em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal e somam 437 apartamentos.

Nike (EUA): a companhia reportou lucro de US$ 0,44 por ação no primeiro trimestre fiscal, em linha com o esperado, e receita de US$ 11,21 bilhões, abaixo dos US$ 11,3 bilhões projetados. Também anunciou uma reestruturação para retomar o crescimento de longo prazo sob o comando de Elliott Hill, com demissões previstas a partir de 2027.

Comentário estratégico

O dia combina um dado de peso, o payroll de setembro, com riscos que vão além da economia americana. De um lado, uma criação de vagas abaixo de 100 mil, se confirmada, reforça o cenário de desaceleração. De outro, a inflação europeia em 3,8% e o diesel em recorde mostram que a pressão de preços segue viva. Esse cabo de guerra explica por que os investidores operam com viés positivo, mas sem euforia.

Riscos e oportunidades

Entre os riscos estão a escalada entre EUA e Irã, a disputa sobre o diesel e a volatilidade dos juros americanos. Entre os pontos de atenção positivos, destacam-se o alívio recente nas taxas longas, o dólar global mais fraco e o recuo do petróleo, que pode amenizar a pressão inflacionária. Em qualquer cenário, o payroll de setembro será o primeiro termômetro do dia, seguido pela produção industrial no Brasil e pelo discurso de Lorie Logan.

Agenda do dia

  • Brasil, 9h00: produção industrial de agosto (IBGE)
  • EUA, 9h30: payroll (vagas, taxa de desemprego e salário médio por hora)
  • EUA, 11h00: discurso de Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas

Este resumo não é recomendação de investimento. Consulte seu Advisor

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