Mercados globais e petróleo hoje: petróleo despenca mais de 5% e bolsas reagem ao avanço nas negociações Irã-Trump

Mercados globais e petróleo hoje: petróleo despenca mais de 5% e bolsas reagem ao avanço nas negociações Irã-Trump
Os mercados globais e petróleo hoje mostram uma dinâmica de alto risco geopolítico. Na manhã desta segunda-feira (25), os ativos de risco operam majoritariamente em alta, enquanto o petróleo registra forte desvalorização, após declarações do ex-presidente Donald Trump e do premiê israelense Netanyahu darem sinais — ainda que contraditórios — sobre um possível acordo com o Irã para reabertura do Estreito de Ormuz. O barril do Brent voltou a operar abaixo de US$ 100 pela primeira vez em semanas, aliviando tensões inflacionárias globais.
Na Ásia, o índice Nikkei disparou 2,87% e o Shanghai Composite avançou 0,96%. Os futuros do S&P 500 indicam abertura positiva (+0,91%), mesmo com Wall Street fechada hoje devido ao feriado do Memorial Day. Na Europa, o CAC-40 sobe 1,40%. Em paralelo, o índice do dólar recua 0,26%, aos 98,984 pontos, e o Bitcoin opera em alta de 1,21%, cotado a US$ 77.548. O ouro, tradicional porto seguro, avança 0,78% para US$ 4.558,6 a onça troy, sinalizando que ainda persistem cautela e hedge de risco moderado.
Mercados globais e petróleo hoje
Impacto geopolítico e a volatilidade do petróleo
No sábado, Trump trouxe otimismo ao afirmar que Washington e o Irã haviam “negociado em grande parte” um memorando de entendimento para um acordo de paz que reabriria o Estreito de Ormuz — rota por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial. Contudo, ontem ele recuou em parte, declarando em sua rede Truth Social que “o bloqueio permanecerá em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”. Ainda assim, o mercado interpretou que as conversas estão evoluindo de forma construtiva, pressionando os preços da commodity para baixo. O Brent caiu 5,48%, chegando a US$ 97,87, enquanto o WTI desabou 5,62% para US$ 91,17.
Benjamin Netanyahu reforçou a posição americana ao dizer que qualquer acordo final deve eliminar a ameaça nuclear iraniana, o que envolveria o desmantelamento de instalações de enriquecimento. A combinação de negociações diplomáticas ativas com a manutenção do bloqueio gerou um rali de alívio nas bolsas, uma vez que a desaceleração do preço da energia pode conter a inflação global e dar mais espaço para bancos centrais, como o Federal Reserve, suavizarem o aperto monetário. O mercado aguarda agora o PCE de abril (sexta-feira, 29), indicador de inflação preferido pelo Fed.
Cenário Brasil: Ibovespa sob pressão e inflação no radar
Na última sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,81%, aos 176.210 pontos, pressionado por realização de lucros e pela alta do dólar, que subiu 0,55% a R$ 5,0282. Hoje o Banco Central divulga o Relatório de Estabilidade Financeira, com coletiva do presidente Galípolo às 11h, e às 8h25 sai o tradicional Boletim Focus, que pode recalibrar as expectativas para a Selic. Além disso, o presidente Lula analisa um decreto que institui subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina, com custo mensal de R$ 1,2 bilhão, tentativa de amortecer a alta dos combustíveis para o consumidor final, gerando ruído fiscal.
Na quarta-feira (27) o IPCA-15 de maio será o termômetro mais importante pré-Copom, em um ambiente de incerteza sobre o ritmo de cortes de juros. Na quinta (28), a Pnad Contínua divulgará a taxa de desemprego de abril. Já na sexta (29), o PIB do 1T26 deve confirmar aceleração da economia, vindo de estabilidade de +0,1% no 4T25. O Caged de abril também será liberado no mesmo dia. A agenda política também esquenta: a Câmara dos Deputados vota a PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais (PEC 6×1).
Empresas: BNDES vende Petrobras, Qualicorp anuncia CEO
O BNDES vendeu em maio cerca de R$ 3 bilhões em ações da Petrobras, além de mais de R$ 500 milhões em papéis da Axia Energia e R$ 280 milhões em ações da Copel, segundo fontes da Reuters. As movimentações fazem parte do plano de desinvestimento do banco de fomento. Já a Qualicorp definiu Eduardo Oliveira como novo CEO a partir de 31 de agosto de 2026; o atual presidente Maurício Lopes passa a presidir o conselho de administração.
Commodities seguem voláteis e os investidores monitoram o comportamento dos mercados globais e petróleo hoje para ajustar posições em ativos de risco. A calmaria parcial no front geopolítico estimula a busca por ativos emergentes, mas a cautela permanece com os yields dos Treasuries de 10 anos em queda de 9,1 pontos-base (4,482%).
Mercados globais e petróleo hoje
Agenda e projeções para a semana
No Brasil, a agenda econômica intensa começa com o Focus e o Relatório de Estabilidade Financeira. Nos EUA, além do feriado de hoje, os leilões de Treasuries e o PCE vão ditar o tom para os próximos passos do Fed. O noticiário político no Oriente Médio segue como catalisador para o petróleo, e qualquer declaração adicional de Trump ou autoridades iranianas pode reacender a volatilidade.
Este cenário reforça a importância de acompanhar de perto os indicadores e a geopolítica. Para investidores de varejo, as oportunidades podem surgir tanto nos setores de energia quanto em ações ligadas ao consumo interno brasileiro, diante da possível melhora da renda com a redução da jornada de trabalho. Contudo, cautela com o déficit público e a trajetória da dívida segue no radar.