
Ibovespa acima dos 188 mil: fluxo e tensões geopolíticas marcam o rali
Ibovespa +1,35% (188.534) | S&P 500 -0,28% (US$ 6.861) | BTC +2,20% (US$ 68.048) | Ouro +0,07% (R$ 27,18) | Dólar -0,40% (R$ 5,22) — dados de fechamento 19/02/2026.
O Ibovespa voltou a ensaiar os 188 mil pontos no primeiro pregão completo pós-Carnaval, sustentado pela alta do petróleo e pelo fluxo estrangeiro que segue direcionado a emergentes. Por trás do rali, porém, há um cenário geopolítico mais sensível: o presidente Donald Trump elevou o tom contra o Irã, elevando o barril ao maior nível em seis meses. Enquanto isso, o mercado aguarda o deflator PCE americano, principal métrica de inflação do Fed, que deve permanecer ligeiramente abaixo de 3%. A ata do Fed já havia revelado divergências, mas o focus segue cauteloso com cortes de juros.
Do carrinho de compras ao Golfo Pérsico
Na agenda do dia, o deflator do PCE americano — principal métrica de inflação acompanhada pelo Federal Reserve — deve permanecer ligeiramente abaixo de 3%, tanto no índice cheio quanto no núcleo. A ata mais recente do Fed revelou divergências quanto à trajetória futura da inflação e, por consequência, da política monetária, mas é importante destacar que as pressões inflacionárias correntes já vêm sendo consideradas nas decisões do banco central. Com a também a divulgação do PIB do quarto trimestre no radar, o mercado pode reforçar uma postura mais cautelosa em relação a cortes de juros, sobretudo após um relatório de emprego mais forte.
No plano geopolítico, o ambiente tornou-se mais sensível. O presidente Donald Trump elevou o tom ao estabelecer um ultimato ao Irã, intensificando as tensões no Oriente Médio e impulsionando o petróleo ao maior nível em seis meses. Esse movimento reacende preocupações inflacionárias e pressiona as bolsas globais. Paralelamente, o mercado japonês tem sido sustentado por fluxos estrangeiros consistentes após a vitória de Sanae Takaichi, enquanto o restante da Ásia exibe um quadro misto.

— O rali é real, mas o dinheiro é nervoso
No Brasil, a agenda da semana concentra-se em dados de emprego, em um momento em que o IBC-Br veio acima do esperado e, com isso, elevou a probabilidade de um corte mais parcimonioso de juros — possivelmente de apenas 25 pontos-base — na reunião do mês que vem. Seja qual for o desfecho, o ponto central é que o fluxo segue presente. No primeiro pregão completo após o Carnaval, voltamos a ver o Ibovespa acima dos 188 mil pontos, com destaque para Petrobras — que respondeu bem à alta do petróleo — e para os bancos, que também contribuíram para sustentar o índice.
O investidor estrangeiro continua mostrando apetite por ativos emergentes, em linha com a rotação global de recursos que temos observado desde o ano passado. Mesmo após a valorização recente, ainda parece haver espaço para a continuidade do movimento. Mas aqui vale um alerta importante: não confunda “fluxo” com “tranquilidade”. Uma parcela relevante desses recursos tem perfil mais tático e especulativo e, portanto, pode sair com a mesma velocidade com que entrou — especialmente à medida que a volatilidade ligada às eleições começar a ganhar corpo.
— Pressão do crédito
Nos Estados Unidos, a breve sequência de alta nas bolsas foi interrompida por uma combinação de fatores de risco: o Dow Jones caiu 0,5%, o S&P 500 recuou 0,3% e o Nasdaq perdeu 0,3%, enquanto o petróleo WTI avançou 1,9%, a US$ 66,43, após o presidente Donald Trump sinalizar que pode decidir sobre uma eventual ação contra o Irã nos próximos dias. Ao mesmo tempo, a Blue Owl Capital suspendeu resgates em um fundo de crédito privado, provocando queda de cerca de 10% em suas ações e pressionando o setor financeiro, reacendendo temores sobre riscos no mercado de US$ 1,8 trilhão de crédito privado.

— Uma decisão fundamental
O mercado acompanhou com elevada expectativa a possibilidade de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) pelo presidente Trump para fundamentar parte relevante de sua política tarifária. Embora, nas últimas semanas, temas tenham dividido as atenções, a decisão pode ser divulgada a qualquer momento e carrega potencial significativo de impacto sobre os mercados. Isso porque estão em jogo tarifas que respondem por aproximadamente US$ 130 bilhões em arrecadação. Ainda assim, apesar da retórica protecionista e da intensidade do debate político, o déficit comercial norte-americano mostrou pouca alteração: totalizou US$ 901,5 bilhões em 2025, praticamente em linha com os US$ 903,5 bilhões registrados em 2024.
Na prática, as tarifas modificaram a geografia do comércio exterior, mas não reduziram de forma relevante seu volume agregado. O déficit com a China recuou 31%, para US$ 202 bilhões, ao passo que aumentou com outros parceiros, como Taiwan, México e Vietnã — sinal de que parte das cadeias produtivas foi redirecionada. Paralelamente, estudos do Federal Reserve de Nova York indicam que cerca de 90% do custo das tarifas foi absorvido por empresas e consumidores americanos, segundo o qual companhias de médio porte triplicaram suas despesas tarifárias em 2025.
— A cúpula indiana
Na cúpula de IA em Nova Delhi, o primeiro-ministro Narendra Modi defendeu um modelo de inteligência artificial mais ético e atento ao Sul Global, buscando evitar que países emergentes se tornem apenas consumidores de tecnologia ou fornecedores de dados para EUA e China. Em meio a alertas de lideranças como Sam Altman e Emmanuel Macron sobre regulação, uso por regimes autoritários e proteção de dados, a Índia já avança com regras mais rígidas, exigindo rastreabilidade e marcas d’água em conteúdos gerados por IA.
— Instabilidade política
Nesta semana, o Peru voltou a mergulhar em instabilidade política com a destituição do presidente interino José Jerí após apenas quatro meses no cargo, elevando para oito o número de líderes que passaram pela presidência desde 2016. José María Balcázar assume, agora, de forma interina até as eleições de abril. Esse episódio é um bom lembrete de que, no quadro mais amplo dos mercados emergentes, 2026 tende a ser um ano eleitoralmente decisivo para emergentes — e capaz de influenciar políticas econômicas relevantes.
— Parceria estrutural
A parceria estratégica plurianual entre Nvidia e Meta reforça, de maneira bastante clara, o compromisso das duas companhias com a expansão estrutural da inteligência artificial. A Meta sinaliza que sua ambição em IA será sustentada por uma infraestrutura de altíssimo desempenho, com a implantação de milhões de GPUs das famílias Blackwell e Rubin, além de CPUs e soluções avançadas de rede da Nvidia.
⚠️ Nota de edição:

Deixe um comentário