
Tarifaço de Trump e recuperação da Azul: o que muda na Bolsa brasileira
Por MindStuff — As tarifas americanas voltaram ao centro do tabuleiro depois que a Suprema Corte dos EUA inviabilizou o pacote anterior e Trump reagiu com novas taxas. O Brasil, porém, pode sair na dianteira. Estudo do Global Trade Alert indica que a tarifa média paga por exportadores brasileiros caiu de 26,3% para 12,8%; produtos como carne e aeronaves ficaram isentos. Empresas como Embraer e WEG tendem a surfar essa onda, mas o efeito pode se espalhar por outros setores da B3.

Ibovespa renova máximas com “elenco completo”
Na terça-feira (24), o Ibovespa fechou em alta de 1,40% aos 191.490 pontos, após tocar 191.780 pts no intradia. Diferente de outros ralis, bancos, Vale e Petrobras subiram juntas, enquanto o dólar recuou a R$ 5,15 (menor patamar em quase dois anos). Os juros futuros também cederam, acompanhando o alívio dos Treasuries. Tudo isso em meio ao tarifaço, quatro anos de guerra na Ucrânia e tensões com o Irã — mas o fluxo para emergentes falou mais alto.
Guerra comercial: por que o Brasil pode ganhar
O vai e vem das tarifas reacendeu o temor de guerra comercial, mas o saldo para o Brasil pode ser positivo. Além da redução tarifária média, a Embraer (EMBJ3) e WEG (WEGE3) aparecem como expostas diretas. Na visão de analistas, o movimento tende a beneficiar a balança e o lucro corporativo, ainda que a volatilidade continue. Enquanto isso, o governo americano prometeu elevar a taxa para 15% e ameaça países que “joguem sujo”.
Azul deixa Chapter 11 e voa em céu mais azul
Menos de um ano após pedir recuperação judicial nos EUA, a Azul (AZUL53) concluiu sua saída do Chapter 11. A empresa atraiu novos investidores, cortou a dívida quase pela metade e agora está no “melhor momento”, segundo o CEO. A American Airlines e a United injetaram US$ 100 milhões cada, ficando com ~6% do capital. O Bradesco BBI elevou a recomendação para neutra, com preço-alvo de R$ 273 (potencial de alta de 15%).

Gol confirma saída da B3 em março
A Gol (GOLL54) informou que vai deixar a Bolsa no dia 25 de março, após OPA que comprou a maior parte das ações em circulação. Quem ainda tiver papéis receberá R$ 11,45 por lote de mil ações. A aérea foca agora na reestruturação financeira fora do pregão.
IPO da Compass volta ao radar da Cosan
A Cosan (CSAN3) avalia novamente colocar na B3 a Compass, sua subsidiária de gás natural, que possui 3 milhões de clientes e 28 mil km em rede. No 3T25, registrou lucro líquido de R$ 432 milhões e Ebitda de R$ 1,3 bilhão. Em 2020 a tentativa não vingou; agora os estudos ocorrem em paralelo à reorganização das contas da holding e da Raízen.
Venda de imóveis bate recorde e construtoras na mira
Segundo a CBIC, 2025 fechou com 453 mil lançamentos e 426 mil imóveis vendidos, valor geral de vendas inédito de R$ 264,2 bilhões. O BTG avalia que dados sólidos devem vir das construtoras de baixa renda (como Cury3), enquanto o médio/alto padrão pode frustrar. O Minha Casa, Minha Vida puxou o setor; para 2026, metade das famílias com renda acima de R$ 2,5 mil quer comprar imóvel, e uma possível queda da Selic pode ajudar.
Enel ganha sobrevida em SP; prazo de 30 dias
A Aneel deu mais 30 dias para a Enel se explicar sobre apagões; a concessão em São Paulo segue vigente até 24 de março. O diretor-geral foi contrário, mas venceu a posição de manter a empresa. O CEO citou fiação aérea e chuvas fortes como entraves, e o mercado já especula sobre eventuais sucessoras.

Dividendos em foco: Gerdau, Itaú e agenda
Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) anunciaram até R$ 0,10 por ação. Irani (RANI3) propôs proventos adicionais. Data com de Isa Energia, Itaú e Itaúsa garante até R$ 0,25 por ação. Klabin e Vibra pagam na sexta (27).
O que esperar da agenda econômica
Na quarta (25), o mercado repercute o discurso do Estado da União. Quinta tem IGP-M no Brasil e pedidos de seguro-desemprego nos EUA. Sexta traz IPCA-15, dívida bruta e PPI americano. Além disso, balanços de Nubank, Axia e Caixa Seguridade movimentam a semana.
Análise estratégica: O cenário combina recuperação judicial da Azul, deslistagem da Gol, possível IPO da Compass e tarifas que reconfiguram fluxos de comércio. Para o investidor, o momento exige atenção a empresas expostas ao mercado externo (como Embraer e WEG) e às construtoras de baixa renda. A volta das tarifas de Trump, ainda que ruidosa, criou uma janela para o Brasil, desde que a política doméstica não atrapalhe. O BTG Pactual reforça que os dados de emprego e renda devem sustentar a bolsa, mas com cautela devido à guerra na Ucrânia e às tensões no Oriente Médio.
Este artigo foi escrito com base em informações dos principais informativos financeiros (BTG Pactual, Investidor10) e relatórios de 24/02/2025.
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