Petróleo dispara com tensão no Oriente Médio e IPCA no Brasil

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Petróleo dispara com tensão no Oriente Médio e IPCA no Brasil

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Petróleo dispara com tensão no Oriente Médio e IPCA no Brasil

A aversão ao risco voltou a dominar os negócios globais nesta quinta-feira (12). As bolsas operam majoritariamente em queda, pressionadas pela escalada do conflito no Oriente Médio e o reflexo imediato sobre as cotações do petróleo. Mesmo após o anúncio de uma liberação histórica de reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia (AIE), o petróleo tipo Brent voltou a ensaiar os US$ 100, fechando a manhã em alta superior a 4,8%.

O clima de tensão geopolítica ofuscou dados de inflação nos Estados Unidos (CPI) que vieram em linha com as expectativas. O mercado entende que o CPI de fevereiro ainda não capturou a alta recente das commodities energéticas, e o foco agora se volta para os possíveis desdobramentos no fornecimento global de óleo. O Irã emitiu comunicado afirmando que o mundo deve se preparar para um barril a US$ 200 caso o fechamento do Estreito de Ormuz se concretize — hipótese que, até ontem, era tratada como remota.

Na madrugada, a AIE confirmou a liberação de 400 milhões de barris das reservas dos países-membros, uma tentativa de conter a disparada. O anúncio chegou a derrubar os preços momentaneamente, mas a reação foi anulada por notícias de ataques a petroleiros próximos ao Irã e pela paralisação total dos portos petrolíferos do Iraque. O cenário reacende o fantasma da estagflação e reforça a busca por ativos de segurança, como o ouro, que avança 0,14% (US$ 5.187 a onça).

Bolsas mundiais: queda generalizada com petróleo em fogo

Invista no exterior com as Contas Internacionais do BTG PactualOs futuros de Wall Street operam no vermelho: S&P 500 futuro recua 0,33%, enquanto Nasdaq futuro cede 0,28%. O índice europeu Stoxx 600 registra baixa de 0,22%, pressionado por ações de energia e aviação. Na Ásia, o fechamento foi negativo em todas as praças: Tóquio (Nikkei) -1,04%; Hong Kong (HSI) -0,70%; Xangai (Shanghai) -0,10%.

Petróleo e commodities

  • WTI: +4,53% (US$ 91,20 o barril)
  • Brent: +4,81% (US$ 96,40 o barril)
  • Ouro (abril): +0,14% (US$ 5.187,2/oz)

Câmbio e criptomoedas

  • DXY (dólar índice): +0,06% (99,528 pts)
  • Bitcoin: -0,86% (US$ 70.023,80)
  • Dólar comercial (BRL): fechou ontem a R$ 5,15, estável

Juros americanos (Treasuries)

  • Título de 10 anos: 4,230% (ante 4,231% anterior)
  • Título de 2 anos: 3,659% (ante 3,666%)

A agenda americana de hoje traz, às 9h30, os pedidos de auxílio-desemprego e a balança comercial de janeiro. Qualquer desvio pode alterar as expectativas para o próximo movimento do Fed, mas o foco continua sendo o noticiário geopolítico.

Brasil: IPCA de fevereiro e radar corporativo

IMPERIO DROPNo mercado doméstico, todas as atenções se voltam para o IPCA de fevereiro, que será divulgado às 9h. O BTG Pactual projeta alta de 0,66% na comparação mensal e 3,77% no acumulado em 12 meses. Em janeiro, a inflação oficial havia marcado 0,33%. Segundo a instituição, o grupo Alimentação no domicílio deve seguir comportado, enquanto bens industriais (especialmente higiene pessoal e veículos) devem exercer pressão. As projeções para o IPCA de 2026 e 2027 seguem em 4,1% e 3,8%, respectivamente.

Ontem, o Ibovespa encerrou com leve alta de 0,28% aos 183.969 pontos, próximo da estabilidade. O dólar à vista avançou 0,04%, cotado a R$ 5,15. O humor local ainda reflete os balanços do quarto trimestre, que trouxeram números mistos.

Destaques corporativos (4T25/4T24)

Empresa Lucro/Prejuízo (R$ milhões) Variação anual
Cogna 220 (lucro) -76,2%
CSN -721,2 (prejuízo) 8x maior
CSN Mineração 1.190 (lucro) -40,8%
Brava Energia -588 (prejuízo) -43%
Vibra Energia 679 (lucro) +33%

A Cogna foi impactada por atraso de pagamento do governo federal no programa de livros didáticos e reversão de provisão fiscal. Já a CSN ampliou o prejuízo em meio à queda nos preços do minério e custos financeiros. A Vibra Energia, por outro lado, surpreendeu com alta de 33% no lucro, beneficiada pela melhora nas margens de distribuição.

Agenda do dia

  • 09:00 (Brasil): IPCA de fevereiro (expectativa BTG: 0,66% m/m)
  • 09:30 (EUA): Pedidos iniciais de auxílio-desemprego
  • 09:30 (EUA): Balança comercial de janeiro

“O alívio nos preços do petróleo após o anúncio da AIE foi passageiro. O ataque a petroleiros e a paralisação nos portos iraquianos recolocaram o risco de oferta no centro da mesa. A frase do Irã sobre US$ 200 o barril soa como retórica, mas o mercado não pode ignorar.” — Análise MindStuff

Riscos e oportunidades: como navegar a tempestade?

Cibersegurança e Riscos TecnológicosCom o petróleo disparando com tensão no Oriente Médio, a curva de juros futuros já precifica mais aperto monetário lá fora. Para o investidor brasileiro, a alta das commodities pode beneficiar ações de petróleo e mineração, mas também pressiona a inflação e pode adiar cortes na Selic. O IPCA de hoje será fundamental para calibrar as expectativas.

A recomposição das reservas estratégicas pela AIE não resolve o problema estrutural: a Opep+ mantém sua política de aumentos graduais, e a demanda global segue firme. Enquanto isso, o câmbio opera volátil — o dólar perdeu força ante o real nos últimos dias, mas qualquer nova escalada do conflito pode reverter esse movimento.

Empresas como Vibra e Brava Energia estão expostas de formas diferentes: a Vibra, como distribuidora, sofre com repasses de preço; a Brava, como produtora (antiga Enauta), tende a se beneficiar do Brent alto, mas seu balanço do 4T25 ainda mostrou prejuízo. Ou seja, é preciso cautela e análise caso a caso.


📊 Este resumo não é recomendação de investimento. Consulte seu Advisor

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