Guerra no Irã e impacto nos mercados: o que muda para a Selic e seus investimentos
Análise aprofundada dos desdobramentos geopolíticos e seus efeitos sobre juros, Bolsa e estratégias de alocação.

A escalada das tensões no Oriente Médio sacudiu os mercados globais. As Bolsas caíram, o petróleo disparou e o dólar avançou com investidores em busca de proteção. O conflito envolvendo EUA, Israel e Irã reacendeu o temor inflacionário e lançou dúvidas sobre a trajetória de queda da Selic no Brasil. Neste relatório, analisamos os fatos, os vencedores e perdedores na B3, e o que esperar da macroeconomia nas próximas semanas.
🔍 Resumo do mercado (03/03)
O Ibovespa (IBOV) sofreu o maior tombo do ano nessa terça-feira (3). O índice fechou em baixa de -3,28%, aos 183.104 pontos, com apenas duas ações no azul. O dólar comercial saltou +1,91%, cotado a R$ 5,26, refletindo a forte aversão ao risco. O petróleo Brent subiu +3,05% (US$ 78,48), enquanto o minério de ferro recuou -0,24% (US$ 99,57).
📉 Ibovespa: -3,28% | 183.104 pts
💵 Dólar: +1,91% | R$ 5,26
🛢️ Brent: +3,05% | US$ 78,48
🏦 IFIX: -0,59% | 3.883 pts
O gatilho foi a escalada militar no Oriente Médio. Os EUA e Israel lançaram ataques contra instalações nucleares iranianas; o Irã respondeu e ameaçou fechar o Estreito de Ormuz — rota de 20% do petróleo mundial. O risco de interrupção no suprimento fez o petróleo disparar, trazendo de volta o fantasma da inflação persistente. Lá fora, S&P 500 caiu -0,94%; na Europa, as perdas foram generalizadas. O Bitcoin recuou -1,31% (US$ 67.903).
🌍 Conflito entre EUA, Israel e Irã: o novo choque do petróleo
O ataque coordenado contra o programa nuclear iraniano, autorizado por Donald Trump, foi classificado por Teerã como “agressão criminosa”. O contra-ataque incluiu mísseis e a ameaça de bloquear o Estreito de Ormuz. Analistas do setor energético alertam que o Brent pode testar os US$ 90 se o conflito se prolongar. Para o Brasil, o impacto é dúbio: a Petrobras (PETR4) tende a se beneficiar da alta do petróleo, mas o risco de inflação importada reduz o espaço para cortes agressivos da Selic. O Copom, que vinha sinalizando redução de 0,50 p.p. na próxima reunião, pode adotar tom mais cauteloso.
No câmbio, o dólar rompeu os R$ 5,20 com força, interrompendo um alívio recente. Isso pressiona inflação de commodities e eleva a incerteza para empresas endividadas em moeda estrangeira. Por outro lado, exportadoras de carne e soja ganham competitividade.
📊 Quem ganha e quem sofre na B3 com a guerra
⛽ Petroleiras: Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3) surfam a alta do Brent, funcionando como hedge para o Ibovespa. ✈️ Transporte e aviação: Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) sofrem com o querosene mais caro. 🌱 Agro: setor misto: câmbio favorável para exportação, mas fertilizantes podem subir se o conflito se estender ao Mar Negro.
📰 Notícias que movimentam as empresas
Bradsaúde toma lugar da Odontoprev na B3
O Bradesco (BBDC4) surpreendeu com a criação da Bradsaúde, uma holding que reunirá planos, hospitais e participações como a da Rede D’Or (RDOR3). A estrutura virá por meio de um IPO reverso com a Odontoprev (ODPV3), que cederá seu código de listagem e passará a deter 20% da nova empresa. A operação cria um gigante com R$ 52 bi em receita e mais de 3,6 mil leitos.
Kepler Weber: fusão desfeita em 24h
A Kepler Weber (KEPL3) aceitou proposta da GPT (Grain & Protein Technologies) na segunda, mas o negócio ruíra na terça. A GPT alegou descumprimento de requisito (aval prévio do acionista Trígono Capital). As ações chegaram a cair -20% e fecharam em forte baixa. A Trígono afirmou que não poderia se comprometer antecipadamente e que a GPT tinha ciência disso. A Kepler reafirmou seu plano estratégico para 2030.
🇧🇷 Brasil sai do top 10; Tesouro Reserva chega
O PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, insuficiente para manter o país no grupo das dez maiores economias (11ª posição). Juros altos frearam consumo e investimento. Para 2026, projeta-se crescimento ainda moderado. Em contrapartida, o Tesouro Direto lançou o Tesouro Reserva, título atrelado à Selic Over sem marcação a mercado, ideal para reserva de emergência — concorrente direto da Caixinha do Nubank.
📅 Agenda de dividendos e balanços
- Irani (RANI3): R$ 0,04 por ação (data com 05/03).
- Copasa (CSMG3): R$ 0,0018 (data com 06/03).
- Vale (VALE3): paga R$ 2,33 em dividendos/JCP em 04/03.
- Itaú (ITUB4): R$ 0,37 em JCP em 06/03.
- Petrobras (PETR4): balanço do 4T25 em 05/03 (após fechamento).
Na quinta, saem também balança comercial brasileira e Livro Bege do Fed. Na sexta, payroll nos EUA e produção de veículos no Brasil. A B3 reduz horário de negociação a partir de 09/03 (das 10h às 16h55).
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