Conflito no Oriente Médio e PCE: impactos no mercado financeiro hoje
Internacional: aversão ao risco persiste

Os mercados acionários dos EUA iniciam o pregão desta quinta-feira em território negativo, ampliando as perdas da véspera. O clima de incerteza geopolítica no Oriente Médio, somado à resiliência do petróleo Brent acima de US$ 100 o barril, mantém investidores cautelosos. Por volta das 7h20, os futuros do S&P 500 operavam estáveis com leve baixa de 0,06%, enquanto o Nasdaq Futuro recuava 0,16%. Na Europa, o Stoxx 600 registrava queda de 0,60%, refletindo a dependência do continente em relação à energia importada.
Na Ásia, o fechamento foi generalizado negativo: o sul-coreano Kospi caiu 1,72%, o japonês Nikkei recuou 1,16% e o Shanghai perdeu 0,82%. O índice do dólar (DXY) avançava 0,43% aos 100,17 pontos, pressionando commodities metálicas. O ouro, tradicional porto seguro, operava em baixa de 0,58% (US$ 5.096,3/oz), em movimento atípico explicado por ajustes técnicos e realização de lucros.
O Bitcoin, por outro lado, renovou máximas de uma semana ao subir 2,65% (cotado a US$ 72.181), beneficiando-se da busca por ativos descentralizados em meio à desconfiança nos sistemas tradicionais durante conflitos geopolíticos.
🌍 Ataques no Estreito de Ormuz e sanções
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que o Estreito de Ormuz “deve permanecer fechado” como instrumento de pressão contra Estados Unidos e Israel. A afirmação elevou o prêmio de risco do petróleo, que já acumula alta de 9% na semana. O Brent atingiu US$ 101,03 o barril, maior patamar desde 2022. Em resposta, os EUA suspenderam temporariamente sanções ao petróleo russo em trânsito até 11 de abril (medida anunciada pelo secretário do Tesouro Scott Bessent). Além disso, o governo Trump avalia suspender a Lei Jones por 30 dias para facilitar o transporte marítimo interno e conter pressões inflacionárias.
🇧🇷 Brasil: diesel, serviços e coletiva da Fazenda
No front doméstico, o governo anunciou ontem um pacote para conter a alta do diesel: tributação de 12% sobre exportações de petróleo (temporária), isenção de PIS/Cofins e subvenção a produtores. O Ministério da Fazenda divulga hoje a grade de parâmetros macroeconômicos de março e estimativas preliminares dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira. Às 9h, o IBGE apresenta a Pesquisa Mensal de Serviços: projeção de alta de 0,1% no mês e 2,8% na comparação anual (ante 3,4% em dezembro).
O Ibovespa interrompeu sequência de três altas ao cair 2,55% (179.284 pts), pressionado por commodities e realização. O dólar comercial subiu 1,62%, cotado a R$ 5,24, refletindo a aversão global ao risco e incertezas fiscais locais.
📊 Empresas: balanços do 4º tri
Magazine Luiza: lucro líquido de R$ 131,6 milhões, queda de 55,4% ano a ano. Energisa: lucro consolidado de R$ 975,2 milhões (-54%). Hypera Pharma: lucro de R$ 449,8 milhões, mais de cinco vezes superior ao mesmo período de 2024. Os resultados refletem dinâmicas setoriais distintas, mas o mercado reagiu com cautela diante do cenário macro.
🇺🇸 S&P 500 Fut. -0,06%
🇬🇧 FTSE 100 -0,45%
🇫🇷 CAC 40 -0,87%
🇭🇰 Hang Seng -0,98%
🇯🇵 Nikkei -1,16%
🇨🇳 Shanghai -0,82%
🛢️ WTI +0,06% (US$ 95,79)
🛢️ Brent +0,57% (US$ 101,03)
🥇 Ouro (abr) -0,58% (US$ 5.096,3)
💵 DXY +0,43% (100,17)
₿ Bitcoin +2,65% (US$ 72,18k)
📈 T-10 anos 4,280%
📆 Agenda: PCE, PIB e Jolts
O destaque internacional é o índice de preços PCE (núcleo) de janeiro, medida preferida do Fed. O BTG Pactual projeta alta de 0,42% no mês, levando a taxa anual a 3,1%. Também saem o relatório Jolts (abertura de vagas) e a segunda leitura do PIB do 4º tri nos EUA. No Reino Unido, a economia estagnou em janeiro (0% ante 0,2% esperado).
A escalada do conflito no Oriente Médio traz à tona cenários de estagflação. Com o Brent acima de US$ 100, as cadeias globais de produção sofrem pressão adicional, e bancos centrais podem rever o ritmo de afrouxamento monetário. Na última reunião do FOMC, a maioria dos dirigentes mencionou a geopolítica como um risco assimétrico para a inflação.
Estratégias defensivas ganham tração: utilidades, saúde e empresas ligadas a commodities metálicas aparecem nas carteiras recomendadas. O BTG Pactual sugeriu ontem reduzir exposição a varejo cíclico e aumentar posição em renda fixa atrelada à inflação.
No Brasil, a possível extensão dos conflitos pode afetar a balança comercial e a arrecadação com exportações. O governo avalia medidas adicionais para segurar os preços dos combustíveis, mas analistas alertam para o impacto fiscal. A grade de parâmetros da Fazenda pode trazer novas projeções para câmbio e crescimento.
Entre as ações mais negociadas, Petrobras (PETR4) reagiu com volatilidade, oscilando entre ganhos e perdas, diante das declarações sobre tributação de exportações. Vale (VALE3) acompanhou o recuo do minério de ferro na China. Bancos (Itaú, Bradesco) recuaram com a curva de juros futuros em alta.
O mercado de opções registrou forte aumento no volume de puts de proteção sobre o Ibovespa, indicando que investidores buscam hedge para o curto prazo. A vencimento de opções na sexta também adiciona volatilidade.
Analistas da MindStuff lembram que, historicamente, conflitos no Oriente Médio geram impactos assimétricos: ativos reais e moedas fortes se beneficiam, enquanto emergentes sofrem com saída de capitais. Porém, o real desvalorizado pode ajudar exportadores de commodities não energéticas.
O fluxo de estrangeiro na B3 segue negativo no mês, acumulando saída de R$ 5,3 bilhões até ontem. O movimento acentuou-se após o início dos ataques.
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