Mercado Financeiro: Dividendos FIIs, Lula e Trump, Ouro Recorde
8 de outubro de 2025
O mercado financeiro vive um momento de transformações profundas, com mudanças regulatórias, tensões comerciais internacionais e movimentos recordes em ativos tradicionais e alternativos. Nesta análise completa, examinamos os principais eventos que estão moldando o panorama de investimentos em outubro de 2025, com destaque para os dividendos de fundos imobiliários, a histórica conversa entre os presidentes Lula e Trump, e a performance excepcional do ouro e do Bitcoin.
Resumo do Mercado: Ibovespa no Vermelho e Dólar em Alta
O Ibovespa (IBOV) fechou a terça-feira (7) no vermelho, com queda de -1,57%, aos 141.356 pontos, refletindo o clima de apreensão com a situação fiscal. A MP da Taxação precisa ser aprovada até esta quarta (8) para não caducar. O texto substitui o aumento do IOF anunciado anteriormente pelo governo e é visto como uma peça-chave na estratégia de arrecadação para os próximos anos.
A falta de definição deixou o mercado de mau humor, justamente no momento em que o governo avalia zerar a tarifa de ônibus. O resultado? Um pregão marcado por aversão ao risco e ajustes.
Variação Diária | Cotações de Terça-Feira, 07/10 (Pós Fechamento)
Bolsas e Índices
- 📈 Ibovespa: -1,57% | 141.356 pontos
- 🏢 IFIX: -0,20% | 3.575 pontos
- 🗽 S&P 500: -0,38% | 6.714 pontos
Commodities
- 🛢️ Petr. Brent: +0,38% | US$ 65,72
- 🪨 Minério: 0,00% | US$ 104,22
- 🥇 Ouro: +0,79% | US$ 4.007
Moedas
- 💵 Dólar: +0,75% | R$ 5,35
- 💶 Euro: +0,27% | R$ 6,23
- 🪙 BTC: -1,28% | US$ 121.843
Fundos Imobiliários: Agenda de Dividendos para Outubro
O IFIX, Índice dos Fundos Imobiliários, caiu discretos -0,20%, aos 3.575 pontos. Mesmo com os juros ainda elevados, os “fundos de tijolo” — aqueles ligados a imóveis físicos — seguem mostrando resiliência e atraindo o olhar de investidores mais pacientes.
De acordo com a agenda de dividendos do Investidor10, mais de 200 fundos imobiliários anunciaram pagamentos para outubro. Entre os destaques estão os que presenteiam seus cotistas ainda nesta semana, como CACR11 (R$ 1,33 por cota), VTLT11 (R$ 1,03) e KNUQ11 (R$ 1,25).
Os dividendos de FIIs são uma parte do lucro obtido pelos fundos com a locação de imóveis ou com a realização de operações imobiliárias. A maioria dos fundos imobiliários pagam dividendos mensais, tornando essa classe de ativos atrativa para quem busca renda passiva recorrente.
FIIs com Pagamentos nesta Semana
| Fundo | Data Com | Pagamento | Dividendo por Cota |
|---|---|---|---|
| GGRC11 | 08/10/2025 | 08/10/2025 | R$ 0,10 |
| EGAF11 | 09/10/2025 | 09/10/2025 | R$ 1,48 |
| AIEC11 | 10/10/2025 | 10/10/2025 | R$ 0,34 |
O GGRC11, fundo da GGR Covepi Renda com foco no segmento logístico, apresenta um Dividend Yield de 12,01% nos últimos 12 meses, com pagamentos consistentes de R$ 0,10 por cota. Já o AIEC11, fundo de lajes corporativas, tem um DY de 10,25% e pagou R$ 0,34 por cota em seus últimos rendimentos].
Para calcular os dividendos dos Fundos Imobiliários (FIIs), é importante entender como funcionam esses dividendos e qual é a fórmula para o cálculo do Dividend Yield, que mede o retorno em termos de dividendos. O cálculo segue a fórmula: Dividendos por cota = Lucro líquido do fundo ÷ Número total de cotas emitidas.
Diálogo entre Lula e Trump: Esperança nas Relações Comerciais
Em meio ao turbilhão das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, Lula e Trump voltaram a se falar, desta vez, por telefone, na segunda-feira (6). A conversa durou cerca de 30 minutos e teve um tom diplomático, mas não deixou de lado o ponto mais sensível da relação bilateral: as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros.

Durante o diálogo, Lula foi direto e pediu a retirada da sobretaxa de 40%, que leva a uma cobrança de 50% sobre itens como carnes, frutas e etanol. Além disso, cobrou a revisão das sanções impostas a autoridades brasileiras com base na Lei Magnitsky.
O argumento brasileiro é de que não há justificativa econômica para as tarifas, já que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil. E, para a surpresa de Lula, Trump reagiu com muita “cordialidade” ao pedido. O republicano classificou a conversa como “muito boa” e indicou disposição para continuar o diálogo, inclusive com um novo encontro presencial, nos EUA, no Brasil ou na Malásia.
Enquanto a nova reunião não sai, diplomatas e ministros continuam negociando, para tentar destravar esses negócios. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por exemplo, vai aos EUA na próxima semana e pretende tratar do assunto com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ou o senador Marco Rubio, designado por Trump como interlocutor direto para as discussões.
Ouro e Bitcoin Batem Recordes Históricos
Enquanto o governo dos Estados Unidos segue em uma disputa pelo orçamento anual, dois dos ativos mais tradicionais (e opostos) do mercado financeiro atingiram novos recordes. Nesta semana, o ouro e o Bitcoin (BTC) alcançaram cotações jamais vistas em suas histórias.
O metal precioso superou a marca de US$ 4 mil por onça-troy na terça-feira (7), impulsionando os ETFs que seguem sua cotação no mercado internacional. Na B3, o GOLD11 já acumula ganhos próximos de +30% no ano.
O Bitcoin também brilhou. Na madrugada de domingo (5), a criptomoeda atingiu US$ 126 mil por unidade. No acumulado de 2025, a valorização também fica perto de 30%, mas há fundos e produtos derivados que superam esse número.
Analistas ainda divergem sobre até onde vai essa alta dupla, mas há quase um consenso de que o movimento deve continuar. O Citi projeta o BTC em US$ 133 mil no fim de 2025, enquanto o JPMorgan Chase aposta em US$ 165 mil.
Mudanças Fiscais: O que Esperar para 2026
Termina nesta quarta-feira (8) o prazo para que o Congresso Nacional aprove a Medida Provisória 1.303/2025, que foi apresentada pelo governo Lula como uma alternativa ao aumento do IOF e promete mexer bastante com o bolso dos investidores a partir de 2026.
Se o texto passar pelo Congresso, a conta deve ficar mais salgada para quem costuma receber JCP (Juros Sobre o Capital Próprio), por exemplo. Isso porque a proposta do governo é elevar de 15% para 20% a cobrança de IR (Imposto de Renda) que recai sobre os proventos pagos dessa forma pelas empresas.
O relator da MP, o deputado federal Carlos Zarattini (PT/SP), também mantém a proposta do governo de acabar com a tabela regressiva de IR, de modo que todas as aplicações financeiras devem passar a ter uma taxação fixa de 17,5% de IR a partir de 2026, inclusive as criptomoedas.
Por conta da criação do Regime Especial de Regularização de Ativos Virtuais (RERAV), que equipara a tributação de criptoativos à das aplicações financeiras, deve acabar a isenção de IR para os ganhos mensais de até R$ 35 mil com ativos virtuais.
Renda Fixa Isenta Não Acabou?
Em meio às negociações políticas em Brasília, tem uma dupla da renda fixa isenta que deu o que falar: as LCAs e LCIs, modalidade em que o investidor empresta o seu dinheiro para os bancos, contando com o FGC e ajudando a irrigar crédito ao agronegócio e ao mercado imobiliário.
Em resumo: o governo queria taxar esses e outros títulos de renda fixa em 5% a partir de 2026. O relator da MP 1.303/2025 cogitou elevar a taxação das LCIs e LCAs para 7,5%, como forma de poupar outras aplicações: debêntures incentivadas, CRAs e CRIs. Mas, no fim, toda essa turma da renda fixa seguirá como está, livre da mordida do leão da Receita Federal.
Empresas em Destaque: Oi e Ambipar sob Pressão
“Supertele” Fora de Área
Nos últimos dias, a Oi (OIBR3) voltou aos holofotes — mas pelos motivos errados. Desde 30 de setembro, as ações da empresa já caíram mais de 30%, após uma decisão judicial que balançou (de novo) as estruturas da companhia.

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu afastar toda a diretoria e o Conselho de Administração, além da consultoria que vinha ajudando na reestruturação. Além disso, foi determinado o início de um plano de transição para garantir que serviços essenciais, como internet e telefonia, não saiam do ar.
A situação é considerada “pré-falimentar”. Há suspeitas de esvaziamento patrimonial, caixa turvo e custos de gestão elevados. Em outras palavras: a operadora está longe de ter sinal limpo.
Ambipar no Radar dos Investidores (e da CVM)
Se o investidor da Ambipar (AMBP3) esperava um mês tranquilo, outubro tratou de mudar os planos. As ações da empresa já afundaram -90% desde o início do mês e chegaram a R$ 0,71 ontem (7) — o menor valor já registrado pela companhia na B3. E, pelo andar da carruagem, o enredo ainda promete novos capítulos.
Tudo ganhou fôlego com um esclarecimento da Ambipar à Justiça, reforçando seu pedido para manter uma liminar que impede bancos de apertarem o cerco. Em paralelo, a empresa revelou que estuda entrar em recuperação judicial no Brasil e também nos Estados Unidos.
Como se não bastasse, o mercado ainda digeriu a notícia de que o ex-diretor financeiro da companhia se reuniu com a CVM, escoltado por dois escritórios de advocacia de peso — os mesmos que já defenderam nomes como Americanas (AMER3) e Braskem (BRKM5). Isso foi o bastante para o mercado apertar o botão de pânico.
Estratégias de Investimento em Tempos de Incerteza
Em um mercado financeiro marcado por volatilidade e mudanças regulatórias, a diversificação se torna mais importante do que nunca. Os fundos imobiliários continuam oferecendo uma fonte interessante de dividendos regulares, enquanto ativos como ouro e Bitcoin mostram potencial de proteção contra inflação e crises geopolíticas.
Para investidores interessados em FIIs, é fundamental acompanhar a agenda de dividendos e entender os diferentes tipos de fundos disponíveis: os de “tijolo” (que investem em imóveis físicos), os de “papel” (que aplicam em títulos lastreados em créditos imobiliários), os fundos de fundos (FOFs) e os híbridos.
A data-com é especialmente importante para quem busca receber dividendos de FIIs. Essa data determina até quando o investidor deve comprar cotas para ter direito ao pagamento de proventos. Por exemplo, se um FII anuncia que pagará dividendos no dia 15 de um mês, e a data-com for no dia 13, significa que o investidor precisa comprar as cotas até essa data para garantir o recebimento do pagamento.

Perspectivas para o Restante de 2025
O mercado financeiro global segue atento aos desdobramentos das políticas monetárias dos principais bancos centrais, às tensões comerciais entre grandes economias e aos movimentos em ativos de refúgio. No Brasil, a aprovação da MP 1.303/2025 e suas implicações fiscais devem continuar influenciando os investimentos.
Para os fundos imobiliários, especialistas projetam que a busca por renda passiva deve manter o interesse nessa classe de ativos, especialmente em fundos bem geridos e com histórico de pagamento regular de dividendos. A resiliência do setor logístico e o gradual retorno aos escritórios podem beneficiar fundos específicos desses segmentos.
Enquanto isso, o Bitcoin e outras criptomoedas continuam sua trajetória de maior adoção institucional, apesar da perspectiva de maior regulação e tributação. A performance recorde do ouro reforça seu papel tradicional como reserva de valor em momentos de incerteza.
Este resumo não é recomendação de investimento. Consulte seu Advisor.
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