Copom, OPA do Santander e a Crise do Iene Japonês
Copom, OPA do Santander e a Crise do Iene Japonês
O mercado financeiro brasileiro vive um momento de expectativa e movimento discreto, mas com eventos de grande relevância nos bastidores. Nesta semana, o Ibovespa opera lateralizado, enquanto o mercado aguarda a decisão do Copom e digere a temporada de balanços do 2T26. Além disso, a OPA do Santander e a crise do iene japonês adicionam camadas de complexidade ao cenário.
Resumo do Mercado: Ibovespa lateral, dólar sobe

O Ibovespa (IBOV) passou o segundo dia consecutivo andando de lado, fechando com leve queda de -0,06% aos 177.894 pontos na terça-feira (4). O dólar, por sua vez, subiu +0,87% e fechou a R$ 5,13, refletindo a preferência dos investidores pelo mercado americano, que segue em alta.
A temporada de balanços trouxe fortes movimentos individuais. A Bradsaúde (SAUD3) despencou -11,56% com a piora da sinistralidade, enquanto a Marcopolo (POMO4) perdeu -10,43% após queda de margens. No lado positivo, a Pague Menos (PGMN3) disparou +8,92% com margem Ebitda recorde, e a BB Seguridade (BBSE3) subiu +1,72%. Já o Itaú (ITUB4) recuou -2,48% na véspera de seu balanço, e a Petrobras (PETR4) caiu -1,28% acompanhando o tombo do petróleo. A Vale (VALE3), porém, disparou +2,24% mesmo com o minério nas mínimas.
Lá fora, Wall Street subiu cerca de +2%, com o S&P 500 renovando recordes, impulsionado pela expectativa de que a guerra no Irã possa estar chegando ao fim. O secretário de Estado Marco Rubio confirmou avanços nas negociações com Irã e Omã para liberar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, o que derrubou o petróleo e animou os mercados.
Decisão do Copom: Selic a 14%?
O grande destaque do dia é a reunião do Copom, que decide a taxa Selic nesta quarta-feira (5). A expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual ganhou força após a produção industrial de junho decepcionar. Contudo, o humor dos gestores piorou, com o quadro fiscal e o ano eleitoral pesando na conta. A especialista Viviane Las Casas, da Valor Investimentos, ressalta que o tom do comunicado será tão importante quanto o corte em si: “Um comunicado hawkish, que enfatize pausa e cautela, pode impactar a marcação a mercado dos títulos.”
O mercado financeiro já precifica a Selic a 13,75% ao final de 2026, mas dúvidas sobre o ritmo dos cortes persistem. O Copom já sinalizou que pode combinar “diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo”, e ainda restam três reuniões neste ano.
OPA do Santander e a dança das ações
Em menos de uma semana, duas ofertas de troca de ações sacudiram a B3. O Santander (SANB11) abriu a rodada com uma proposta de até R$ 11 bilhões para trocar os 10% em circulação por BDRs da matriz espanhola, com prêmio de 15%. A oferta, no entanto, gerou desconfiança entre minoritários, que questionam o prêmio e a liquidez futura. Dias depois, a Randon (RAPT4) apresentou proposta mais generosa para trocar ações ordinárias por papéis da Frasle, com prêmio de cerca de 80%.
Os analistas alertam que, enquanto a operação da Randon visa reforçar o controle familiar, a OPA do Santander pode reduzir a liquidez do papel na B3, o que exige atenção dos investidores.
Temporada de balanços: números e proventos
A temporada de balanços do 2T26 segue a todo vapor. A Vale (VALE3) lucrou menos, mas anunciou R$ 2,03 por ação em proventos. A BB Seguridade (BBSE3) superou expectativas e distribuirá R$ 3,8 bilhões em dividendos. O Itaú (ITUB4) apresentou lucro de R$ 12,4 bilhões e ROE de 24,3%, mas reduziu a meta de crescimento da receita de serviços. A Gerdau (GGBR4) viu seu lucro saltar +70%.
Nesta semana, ainda aguardamos balanços de Bradesco (BBDC4), Klabin (KLBN11), Axia (AXIA3) e Petrobras (PETR4), que deve anunciar dividendos bilionários na quinta-feira (6). A Ambev (ABEV3) já aprovou R$ 1,1 bilhão em JCP, com data de posição em 21 de setembro.
Crise do iene japonês e o carry trade
O iene japonês atingiu a mínima dos últimos 40 anos contra o dólar, e os Estados Unidos ajudaram o governo japonês a intervir. O Japão, maior detentor estrangeiro da dívida americana (US$ 1,14 trilhão), vê sua moeda sob pressão. A política da premiê Sanae Takaichi de repatriar bilhões de dólares encerrou o carry trade que financiava ativos globais com dinheiro barato do Japão.
Para o mercado financeiro brasileiro, isso significa um fluxo estrangeiro potencialmente mais restrito, o que pode afetar a liquidez e a performance da bolsa.
Agenda e perspectivas
Além do Copom, o mercado monitora o payroll americano e os pedidos de seguro-desemprego, que podem influenciar as decisões do Fed. O cenário eleitoral também está no radar, com a proximidade do fim das convenções partidárias e novas pesquisas.