Morning Call: Inflação nos EUA e tensões no Oriente Médio

Inflação nos EUA desacelera, Fed sinaliza mudança e tensões no Oriente Médio movimentam os mercados

Data: 15 de julho de 2026 | Por: MindStuff

Os mercados globais operam com viés positivo nesta quarta-feira, reagindo à surpresa da inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo das expectativas. O dado renovou o apetite por risco e reduziu as apostas em novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Enquanto isso, o petróleo sobe impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, com novos ataques dos EUA contra o Irã e a retomada do bloqueio naval no Estreito de Ormuz.

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índice de preços ao consumidor americano recuou 0,4% em junho ante maio, levando a taxa anual a 3,5%, bem abaixo da projeção de 3,8% dos economistas consultados pela Dow Jones. A leitura mais branda do CPI trouxe alívio aos investidores, que agora veem pouca chance de um aperto monetário já na reunião de julho. Os futuros de Wall Street refletem o otimismo: S&P 500 +0,24%, Nasdaq +0,55% e Dow Jones +0,24%. Na Europa, o FTSE 100 cede 0,17%, enquanto as bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta, com destaque para o Kospi sul-coreano, que disparou 6,24% impulsionado por gigantes da tecnologia como Samsung Electronics e SK Hynix.

No mercado de commodities, o petróleo Brent opera a US$ 84,89 e o WTI a US$ 79,59, ambos com altas modestas, mas sustentadas pela escalada no Oriente Médio. As forças dos Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã e retomaram o bloqueio naval aos portos iranianos no Estreito de Ormuz. A operação, com duração de sete horas, mirou dezenas de alvos militares próximos ao Estreito e ao longo do litoral iraniano, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom). O ex-presidente Donald Trump, que vinha flertando com a retirada de taxas sobre navios escoltados, agora sinaliza intensificação dos ataques caso o Irã não avance nas negociações de paz.

Fed e a mudança de regime monetário

Em depoimento ao Congresso, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, prometeu promover uma mudança de regime na política monetária para eliminar o que chamou de “custo inflacionário” sobre a população. Warsh defendeu que a economia americana segue sólida e deve colher frutos dos investimentos em inteligência artificial, mas criticou duramente o regime de meta de inflação flexível adotado em 2020, classificando-o como um erro que permitiu a disparada dos preços. Ele afirmou que o comitê do Fed não tem tolerância à inflação persistentemente elevada e mantém compromisso com a estabilidade de preços.

As falas de Warsh ecoam o tom hawkish que já vinha sendo esperado, mas o CPI mais fraco amenizou o impacto. Os juros dos Treasuries de 10 anos operam a 4,598%, ligeiramente acima do ajuste anterior, enquanto o dólar índice (DXY) mostra estabilidade em 100,926 pontos. O ouro futuro recua 0,82%, a US$ 4.036,50 por onça troy, refletindo a menor aversão ao risco.

Brasil: Ibovespa avança com apetite global

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O Ibovespa encerrou a terça-feira com ganho de 0,51%, aos 176.641 pontos, depois de tocar a máxima intradiária de 177.179 pontos. O movimento foi favorecido pelo apetite por risco global após o CPI americano, mas o índice perdeu força ao longo da tarde com a volatilidade das blue chips e as falas de Warsh. O dólar comercial recuou 1,05%, a R$ 5,0777, menor nível de fechamento desde 15 de junho, e o real foi a moeda de melhor desempenho entre as 33 divisas mais líquidas. O euro também cedeu 0,74%, a R$ 5,7982.

Na agenda brasileira, o IBGE divulga às 9h o volume de serviços prestados (PMS) referente a maio. Mais tarde, o Banco Central apresenta o fluxo cambial da semana até 10 de julho. Os investidores também monitoram o noticiário corporativo, com destaque para a aprovação pela CVM do cancelamento do registro da Neogrid como companhia aberta, e a recompra da FMU pela Ânima por R$ 410 milhões.

China: dados mistos e desaceleração do PIB

A China divulgou dados mistos de atividade em junho. As vendas no varejo surpreenderam positivamente, com alta de 1,0% ante o ano anterior, revertendo a queda de 0,6% registrada em maio. Por outro lado, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês avançou 4,3% no segundo trimestre, abaixo da previsão do mercado e em desaceleração frente aos 5,0% do primeiro trimestre, refletindo a redução de gastos por governos locais e famílias. O índice Shanghai encerrou com leve queda de 0,29%.

Agenda do dia: PPI, Empire State e falas de dirigentes

Os investidores acompanham hoje a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA, o índice de atividade industrial Empire State, além de falas de dirigentes do Fed como John Williams, Kevin Warsh (sabatina), Lisa Cook e Alberto Musalem. No Canadá, o Banco do Canadá anuncia sua decisão de política monetária, e na Coreia do Sul, o BoK define juros. A agenda ainda traz o Livro Bege do Fed e os estoques semanais de petróleo.

O cenário macroeconômico segue dinâmico, com os investidores atentos à combinação de dados de inflação, postura do Fed e tensões geopolíticas. O mercado parece precificar um cenário de “pouso suave” para a economia americana, mas a volatilidade deve persistir, especialmente diante das incertezas no Oriente Médio e das decisões de política monetária nos próximos dias.


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Disclaimer: Este resumo não é recomendação de investimento. Consulte seu Advisor.

Conteúdo gerado com base em dados até 15/07/2026. Sempre confira as fontes originais.