Tensão Irã-Israel sacode petróleo, bolsas asiáticas em queda e olhos no CPI

Mercado financeiro hoje: tensão Irã-Israel sacode petróleo, bolsas asiáticas em queda e olhos no CPI
O mercado financeiro hoje enfrenta uma nova escalada geopolítica após troca de ataques entre Israel e Irã no último final de semana, provocando forte aversão ao risco global. As bolsas asiáticas despencaram — destaque para o Kospi, que acionou circuit breaker com queda de mais de 8%, enquanto o Nikkei recuou 3,85%. O petróleo disparou mais de 4%, e o ouro opera perto de máximas históricas. Investidores agora miram os dados de inflação nos EUA (CPI) e no Brasil (IPCA), que podem definir os rumos dos juros. A seguir, os principais destaques, cotações e impactos no cenário de investimentos.
🌍 Cenário internacional: guerra no Oriente Médio e inflação no radar
No domingo, Israel atacou o sul do Líbano; em retaliação, o Irã lançou mísseis contra Israel — a mais grave violação do cessar-fogo desde abril. Na madrugada, Israel novamente retaliou com ataques aéreos contra alvos militares no oeste e centro do Irã. O presidente dos EUA, Trump, pediu moderação, mas o mercado reagiu com aversão imediata. O petróleo WTI avançou 4,65%, cotado a US$ 94,75, e o Brent subiu 4,14% para US$ 96,94, pressionando cadeias produtivas globais.
Na Ásia, o Kospi caiu 8,29% com temor de interrupção no fornecimento de semicondutores; Samsung despencou 10% e SK Hynix recuou 7,7%. O Nikkei encerrou com baixa de 3,85%. O índice Shanghai recuou 1,70%. Enquanto isso, os futuros americanos apontam modesta recuperação (S&P500 +0,32%), mas a volatilidade segue elevada. O índice do dólar (DXY) opera estável a 100,141 pontos, enquanto o bitcoin subiu 3,39% a US$ 63.400, sugerindo movimento de hedge diversificado.
📉 Commodities e bonds: petróleo em disparada, juros longos sobem

Os rendimentos dos treasuries americanos avançaram: o Treasury de 10 anos saltou de 4,522% para 4,576%, e o de 2 anos foi a 4,195%. O movimento reflete as apostas de que o Fed mantenha juros altos por mais tempo, diante da inflação resiliente. O ouro, apesar de ligeira queda de 1,15% a US$ 4.315,3, permanece em nível elevado como porto seguro. O petróleo, por sua vez, ameaça ultrapassar a barreira psicológica dos US$ 100 com riscos de oferta.
Já no Japão, o PIB do 1º trimestre foi revisado para baixo: crescimento anualizado de 1,8% abaixo da leitura preliminar de 2,1%, o que fragiliza o iene, mas ainda mantém a economia em recuperação moderada.
🇧🇷 Brasil: Ibovespa no menor nível do ano, dólar a R$ 5,15 e IPCA na mira
O mercado financeiro hoje no Brasil reflete o pessimismo externo e o aperto monetário nos EUA. Na última sexta, o Ibovespa tombou 0,77%, aos 169.019 pontos — menor patamar desde janeiro. Na semana, acumulou perda de 2,74%. O dólar disparou 1,78% a R$ 5,1566, maior cotação do ano. O payroll americano de maio surpreendeu positivamente: 172 mil vagas criadas, mais que o dobro das 80 mil esperadas, reforçando a necessidade de juros elevados no exterior.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou pela primeira vez um plano emergencial para reduzir a geração de energia. O mercado também aguarda o IPCA de maio na sexta (12). As projeções do Focus, divulgadas às 8h25, devem revisar as expectativas de inflação para cima, o que pode pressionar ainda mais o Copom. Na quinta (11), o volume de serviços de abril será divulgado.
🏭 Empresas: Raízen, Azul e Axia Energia movimentam a B3

A Raízen protocolou plano de recuperação extrajudicial na 32ª Vara de Falências de SP, com adesão de 75,45% dos créditos financeiros (R$ 64,7 bilhões). O plano atende à legislação e foi aprovado antes do prazo máximo de 90 dias. Já a Azul intensificará cortes de capacidade devido aos preços altos do querosene de aviação, reflexo da guerra. O CEO John Rodgerson afirmou que a companhia reduzirá voos para preservar caixa no ambiente incerto. A Axia Energia unifica suas ações na B3: papéis AXIA5 e AXIA6 migram para ações ordinárias (AXIA3) a partir de hoje, consolidando direitos de voto.
Cotações de referência às 7h10 (horário de Brasília)
| Ativo | Variação | Valor |
|---|---|---|
| S&P 500 Futuro | +0,32% | — |
| Nikkei | -3,85% | — |
| Kospi | -8,29% | circuit breaker |
| Petróleo WTI | +4,65% | US$ 94,75 |
| Ouro | -1,15% | US$ 4.315,3 |
| Dólar (BRL) | +1,78% | R$ 5,1566 |
| Bitcoin | +3,39% | US$ 63.400 |
📆 Agenda da semana: decisões do BCE, CPI dos EUA e IPCA local
Quarta-feira (10): sai o CPI de maio nos EUA, principal balizador para o Fed. Quinta-feira (11): PPI americano e a decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE), que pode elevar taxas pela primeira vez desde o conflito. A Opep divulga relatório mensal do petróleo. No Brasil, quinta também traz o volume de serviços de abril. Sexta (12): IPCA de maio, o termômetro mais aguardado. Hoje, às 9h, o Federal Reserve de NY divulga expectativas de inflação do consumidor de maio.
Com a volatilidade global, investidores devem acompanhar o discurso dos bancos centrais. O mercado financeiro hoje exige cautela, mas oportunidades podem surgir em ativos reais e defensivos.