
Tensões Tarifárias Mantêm o Bitcoin Abaixo de US$ 70 mil
O mercado de criptomoedas encerra a semana com movimentos laterais, mas por trás da aparente calmaria, forças tectônicas estão em ebulição. Entre decisões judiciais nos EUA, novas regras da SEC para stablecoins e uma acumulação silenciosa de ETFs por fundos soberanos, o ecossistema digital dá sinais de amadurecimento. O Bitcoin oscila na faixa dos US$ 67 mil, testando resistência em US$ 70 mil enquanto absorve fluxos institucionais robustos. Paralelamente, o anúncio de tarifas globais de 15% por Donald Trump — contornando a Suprema Corte via Lei de Comércio de 1974 — injeta volatilidade nos mercados tradicionais, com reflexos diretos no humor dos investidores de risco. Nesta análise, mergulhamos nos dados, nas movimentações regulatórias e no fluxo de capital que desenham o futuro próximo das criptos.
📊 Pulso do Mercado: Fechamento 15 a 22 de fevereiro
⚖️ Tarifas, stablecoins e o jogo de xadrez em Washington
A decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas recíprocas de Trump parecia uma vitória para os mercados globais, mas o governo rapidamente reagiu invocando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Uma nova tarifa global temporária de 15% foi imposta, pegando investidores de surpresa e reacendendo temores de guerra comercial. A União Europeia e o Reino Unido já ameaçam retaliação, o que aumenta a aversão ao risco. Para o Bitcoin, o ambiente macro torna-se mais nebuloso: tarifas mais altas tendem a fortalecer o dólar no curto prazo, mas também pressionam ativos de risco. Apesar disso, o ouro voltou a ser negociado acima de US$ 5.100, sugerindo que investidores buscam proteção — um movimento que pode beneficiar o BTC como reserva de valor.
Em contraste com a turbulência comercial, a SEC deu um passo histórico. A Divisão de Negociação e Mercados emitiu diretrizes que permitem que corretoras tratem stablecoins de pagamento “permitidas” com um desconto de capital de apenas 2%. Na prática, isso equipara esses ativos a dinheiro ou títulos do Tesouro de curto prazo, abrindo as portas para que bancos integrem stablecoins em seus balanços de forma massiva. Trata-se de uma vitória silenciosa para a tokenização e para a infraestrutura TradFi.
🏛️ Negociações da Clarity Act e a pressão dos bancos
A terceira rodada de conversas na Casa Branca entre bancos e líderes cripto expôs a principal fissura: a proibição de rendimentos sobre stablecoins. Enquanto nativos digitais defendem a liberdade de oferecer juros, bancos tradicionais pressionam para barrar a prática, protegendo seus negócios de depósitos. Apesar do impasse, o CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, aposta em 80% de chance de aprovação de um projeto de estrutura de mercado até abril. Se aprovada, a chamada Clarity Act pode destravar uma nova onda de inovação e capital.
🏦 Fluxo institucional: fundos soberanos e o “dinheiro chinês”
Documentos 13F revelaram movimentações de peso no quarto trimestre: os fundos de Abu Dhabi, Mubadala e Al Warda, ampliaram suas posições no IBIT (ETF de Bitcoin da BlackRock) para mais de 20 milhões de ações, equivalentes a US$ 1 bilhão. Mais curioso ainda é a entrada da Laurore Ltd., sediada em Hong Kong, que detém US$ 436 milhões exclusivamente no IBIT. A falta de presença digital da empresa levanta especulações de que atue como veículo para capital institucional chinês, contornando restrições locais. Esse movimento sugere que, apesar das saídas recentes de fundos de investimento (5 semanas consecutivas de resgates), bancos e gestores de ativos seguem acumulando BTC nas entrelinhas.
O CEO do Goldman Sachs, David Solomon, revelou possuir bitcoin pessoalmente e reforçou que a demanda institucional por serviços de ativos digitais segue em alta — mesmo com seu ceticismo quanto ao uso do BTC como moeda, reconhece seu papel como reserva de valor.
📉 Canto do Gráfico: a espera por um catalisador

O Bitcoin permanece comprimido entre suporte em US$ 60.000 e resistência em US$ 70.000. A compressão das Bandas de Bollinger indica que um rompimento significativo se aproxima. Os investidores monitoram os dados do PMI industrial e ISM nos EUA, além da reunião do FOMC em 18 de março. Até lá, o movimento lateral deve persistir, enquanto o mercado absorve fluxos institucionais e ruídos geopolíticos.
| Taxa de hipoteca fixa 30 anos | 5,99% | menor nível em 4 anos |
| Dominância da Binance em stablecoins (USDT/USDC) | 65% (US$ 47,5 bi) | liquidez concentrada |
| Saídas de fundos cripto (semana) | US$ 288 mi | 5ª semana negativa |
📌 Perspectivas para março
Com a inflação dando sinais de arrefecimento, mas o Fed mantendo juros inalterados, o mercado aguarda um sinal claro. A consolidação atual pode ser a calmaria antes de um movimento expressivo — seja um rompimento acima de US$ 70.000 (caso a Clarity Act avance) ou um teste de suporte em US$ 60.000 (se as tarifas escalarem).
🔮 Conclusão: entre a macro e a regulação
O resumo da semana aponta para um mercado cripto cada vez mais entrelaçado com a política econômica e regulatória dos EUA. Stablecoins ganham status de ativo de alta qualidade, bancos tradicionais disputam espaço, e fundos soberanos acumulam BTC. Ainda que o preço do Bitcoin esteja lateral, as fundações para a próxima perna de alta (ou correção) estão sendo construídas agora. O investidor atento deve monitorar tanto as decisões do Fed quanto os desdobramentos na Casa Branca — pois o catalisador pode vir de qualquer um desses fronts.




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